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Já aconteceu estar num dia tranquilo, com um tempo maravilhoso, até em boa companhia e, por algum motivo, parece que não está lá? Que a sua cabeça não pára de pensar nas obrigações e prazos que tem de cumprir amanhã? E, à medida que esses pensamentos a prendem, o dia parece correr a uma velocidade impressionante? Se já sentiu isso, não se preocupe, não está doida/o! De facto, todos nós passamos por isso. 

Todos os dias, centenas de pensamentos ocorrem na nossa mente, alguns que damos mais relevância e outros que damos conta da sua presença. E, ao acumularmos diferentes papeis, na nossa vida, esses pensamentos parecem multiplicar-se. À primeira vista, parece não haver grande problema, afinal de contas pensar é uma boa actividade cognitiva. O problema está na quantidade e qualidade desses pensamentos.

Pensamentos negativos, depreciativos e extremamente auto-criticos ajudam a perpetuar stress, ansiedade e até mesmo depressão. E agora poderá pensar: "Então sentir tristeza, ter algum stress e estar ansioso é sempre mau?". Claro que não! Experienciar a tristeza é saudável. Sentir algum stress é produtivo. Estar ansioso ao despenharmos algo é expectável. O problema está quando estas experiências não são adaptadas ao contexto ou a tonalidade emocional é mais intensa do que deveria ser. Aí, temos a possibilidade de perturbações da ansiedade e perturbações depressivas. Felizmente, as perturbações da ansiedade são aqueles que respondem melhor a Psicoterapia. Mas então, o que podemos fazer para equilibrar estes acontecimentos?

Quando a tendência é estarmos dispersos, devemos fazer o exercício de trazer a nossa atenção para o aqui e agora. Não é algo para que estejamos habituados e, como tal, é um exercício que tem de ser aprendido e praticado. Contudo, tem mostrado ser eficaz e melhora a qualidade de vida. 

Esta tendência, muitas das vezes chamada de Atenção Plena, tem disso popularizada pela Mindfulness, um estilo de meditação que não é associada a crenças ou estilo de vida religioso, caracterizado pelo foco da atenção no aqui e agora, permitindo aos pensamentos fluirem, sem que a pessoa faça qualquer juízo de valor sobre a sua qualidade. O principal responsável pela sua divulgação, no ocidente, tem sido o médico norte-americano Jon Kabat-Zinn. Kabat-Zinn e os seus colegas têm tido muito sucesso na construção e implementação de programas de intervenção contra o stress, ansiedade e mesmo para a depressão. Mindfulness tem se tornado uma forma de treinar a atenção e concentração, havendo muitos cursos de formação, livros, artigos e chegando mesmo a ser introduzida em estratégias de intervenção psicoterapêuticas. 

Uma outra forma de intervenção nos pensamentos encontra-se nos modelos psicoterapêuticos, onde as cognições têm um papel importante. Psicoterapia Cognitiva e Psicoterapia Comportamental e Cognitiva possuem estratégias em que é possível regular a qualidade e frequência dos pensamentos que nos surgem, assim como lidar com as chamadas distorções cognitivas. Distorções Cognitivas ocorrem quando a pessoa realiza um enviesamento no processamento da informação, que vem do exterior, podendo afectar o satisfação da qualidade da vida.

Algo que também tem sido muito explorado é a actividade física. Cada vez mais estudos demonstram que a prática regular de actividade física produz uma qualidade de saúde mental visto que, enquanto a pessoa está a praticar actividade física, encontra-se apenas focada na tarefa e aproveita a sensação que ela produz. Ao mesmo tempo, o organismo consegue produzir mais hormonas que ajudam na regulação do humor, como a dopamina e serotonina. Enquanto que a actividade física, por si só, não é suficiente para a intervenção num quadro ansioso ou depressivo, é sem dúvida uma excelente forma de prevenção. 

Finalmente, todas as formas de relaxamento também são úteis. Técnicas de respiração, técnicas de relaxamento, Hipnose, Yoga ou mesmo massagens, ajudam a aumentar o nível de relaxamento e diminuir a tensão. Contudo, é importante referir que o relaxamento tem uma componente mental, assim como física. Não basta o relaxamento muscular, se a mente não estiver focada na experiência da sensação de relaxamento, os pensamentos não vão fluir e o corpo não vai descarregar a tensão acumulada.


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