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Recebe uma noticia que abala o seu mundo. Sente-se confuso, sem saber o que fazer ou o que dizer. Quando as alternativas parecem não existir, voltado-nos para a fé, numa entidade superior. Até que ponto é que pode coexistir com a Ciência? 

Desde os primórdios dos tempos, a Literatura relata o relação do povo humano com a Divindade. Para cada cultura, é relatado a existência de um ou mais entes superiores, com omnipresença e omnisciência, com parecenças com o Homem mas no pico da perfeição. À volta destas entidades, que passaram a ser chamados Deuses, o Homem criou regras, crenças e estilos de vida em torno da adoração e busca de sabedoria destas entidades. Assim, surge a Religião.

A história da Religião é algo fascinante, remontando à Babilónia, Suméria, os Vikings, etc. De uma forma ou outra, existe algo que age como uma farol de orientação para as culturas, tanto em tempo de paz como de guerra. Povos como os Egípcios, Romanos ou Gregos veneravam vários Deuses e tal manteve-se, até ao surgimento do Cristianismo. Esta nova doutrina mostrou-se diferente, no sentido da cultura religiosa em torno do único Deus. E toda a sua história está registada num livro, a Bíblias Sagrada. 

A crença religiosa, o acreditar intrinsecamente num caminho e num modo de vida, é algo tão poderoso que somos capaz de a utilizar para a paz, mas também para a guerra. No caso do Cristianismo, a sua história ficou marcada pela Inquisição, um período da sua história onde a guerra foi feita, toda ela em nome de Deus. Actualmente, a religião é uma justificação para guerra, com vários atentados movidos por crenças da religião muçulmana e acções terroristas. 

No que respeita à Ciência, a Religião sempre teve uma relação algo peculiar. A Igreja Cristã mostrou a sua irritação contra cientistas que apresentavam uma teoria diferente da teoria criacionista, que tudo surge pela Criação de Deus. Exemplo disso foi a perseguição a Galileu, por ter inferido que a Terra não era o centro do Universo, mas sim um planeta que gira em torno do Sol. A relação com os avanços da Medicina também não foi fácil, já que a Religião considera que o seu principal instrumento é a Oração, um apelo à entidade divina, para que a sua vida se torne melhor e que a pessoa tenha mais força para a encarar. Mais uma vez, a titulo de exemplo, é contra o principio da religião jeová transfusões de sangue, mesmo em caso de urgência. 

A posição da Psicologia e da Psicoterapia é algo diferente das outras ciências. Considerando que estamos a falar de Ciências Sociais e Humanos, temos de contemplar as crenças religiosas, pois estas fazem parte da sociedade. Para além disso, o Psicólogo adopta uma postura de não julgamento e de respeito, o que torna mais fácil com que a pessoa possa incorporar tanto o recurso religioso como aquele dado em Psicoterapia. 

Mas será que este casamento entre Religião e Psicoterapia sempre existiu? Não. Só recentemente é que a Psicologia começou a interessar-se pela Espiritualidade e como ela pode ajudar a pessoa em regular as suas necessidades e bem-estar. É importante referir que, por Espiritualidade entende-se a propensão humana para encontrar um significado da vida, por meio de conceitos que transcendem o tangível, de um sentido de ligação com algo superior a si próprio.

Neste sentido, o Psicoterapeuta pode explorar e, de certa forma, utilizar a crença espiritual como uma fonte motivadora para a pessoa mudar e atingir um bem-estar desejável. Contudo, há que ter algum cuidado. Enquanto que o Psicoterapeuta não deve agir como um reprovador, ele deve ter uma parte educativa. Importa frisar este ponto, quando o Psicoterapeuta percebe que, de certa forma, existe um aproveitamento da crença religiosa da pessoa, que serve apenas para o lucro de terceiros e não para o real interesse pelo bem-estar da pessoa.

A verdadeira intervenção holística é aquela que consegue integrar aspectos da Espiritualidade com aspectos conhecidos da Ciência, em plena união, para o serviço do bem-estar da pessoa. 


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