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Algo tornou-se um mau estar na sua vida. O cigarro já começa a pesar. O peso que começa a acumular. A decisão de carreira que faz com que não sabia para onde ir. São apenas exemplos, mas já consegue ver o filme. Finalmente, decide pedir ajuda. Fala com o terapeuta, expressando o desejo de querer ser diferente. E depois  encosta-se para trás, na promessa que a mudança vai ser rápida, num "estalar de dedos". Mas será mesmo assim? A resposta é... Não!

Desde o momento em que nascemos, trazemos uma propensão genética dos nossos familiares, algo que pode traduzir-se em algumas doenças genéticas ou características singulares. À medida que nos vamos desenvolvendo, aprendemos a partir de outros, tanto pela modelagem como pela aquisição de novas informações, que podem ser captadas pelos nossos sentidos e assimiladas pelo nosso cérebro, junto de informações prévias. isso faz com que adquirimos hábitos e rotinas, umas boas, outras nem por isso. E são nestas últimas que o mau estar se instala.

A grande função da Psicologia e da Psicoterapia é auxiliar a pessoa no processo de mudança, seja qual for a direcção que a pessoa queira ir. Algumas pessoas trazem essa direcção bastante delineada, outras pessoas ficam confusas sobre o caminho a seguir. É essencial que o Psicoterapeuta clarifique objectivos a seguir, tanto para a terapia, como para a pessoa. Mas não é uma imposição, é uma colaboração entre cliente e terapeuta. O terapeuta não deve impor objectivos pois, cada pessoa é um ser individual e único, o que serve para uma pessoa pode não servir para outra.

Mas o processo nem sempre é fácil. Aliás, muitas das vezes não o é. Cada pessoa que chega a uma sessão de terapia encontra-se num nível de motivação e adesão. Uns mais avançados, outros muito perto de não aderirem. Esta postura é explicada pelas Fases de Mudança, do Modelo Transteórico de Mudança, dos psicólogos americanos Prochaska, Norcross e DiClemente. Segundo os autores, a mudança é algo transversal em todas as formas de terapia e, em último caso, é o principal objectivo de qualquer terapia, fazer com que a pessoa alcance a mudança. Desta forma, estabeleceram um conjunto de fases que descreve a mudança: Pré-Contemplação; Contemplação; Preparação para a Acção, Acção e Manutenção. Dentro da Manutenção, é trabalhado a Recaída, algo que é expectável no inicio de qualquer mudança de comportamento. Estas fases não são estanques, sendo que a pessoa pode ir alternando, ao longo do processo. Para os autores, o Psicoterapeuta deve empregar determinadas estratégias, em cada fase, possibilitando que o cliente vá prosseguindo, com sucesso, por todas as fases. Este modelo é muito utilizado no contexto de Saúde, Desporto, Adição, etc.

Para o sucesso, o Psicoterapeuta deve ter em atenção duas variáveis psicológicas muito importantes para a adesão e manutenção de comportamentos: auto-eficácia e motivação. De uma forma simples, auto-eficácia é a percepção subjectiva que a pessoa tem em como vai ter sucesso, na realização de um determinado comportamento. Motivação é a força que possibilita que a pessoa realize um determinado comportamento. Estes níveis não são estanques e vão flutuando, ao longo de todo o processo. Quanto maior for a auto-eficácia e a motivação da pessoa, maior será a probabilidade de mudar com sucesso e manter a mudança.

É muito importante referir que esta relação tem de ser reciproca e não unilateral. Ou seja, o cliente não é um agente passivo, muito pelo contrário. A investigação sugere que uma grande parte do trabalho de mudança ocorre fora do contexto terapêutico, o que faz com que o suporte familiar, social e laboral sejam importantes, assim como a proactividade da pessoa. 

Friso isto porque, no mercado das terapias formais e alternativas, existe a propaganda da garantia de mudanças rápidas e "quase mágicas". Esta perspectiva serve apenas para atrair a pessoa, porque a mudança só ocorre se a pessoa o desejar e esteja disposto a ultrapassar barreiras, quer sejam psicológicas, quer sejam físicas. Por exemplo, o deixar de fumar. Existe muita publicidade, incluindo processos com Hipnose. Temos dois principais grupos de pessoas: aquelas que dizem que querem parar de fumar, mas ainda não estão bem convictas de conseguirem e as pessoas que querem parar, mas porque foram obrigadas (na generalidade, por motivos médicos). O principal neste contexto é avaliar e trabalhar a auto-eficácia e a motivação da pessoa. Pois, se isso não acontecer, qualquer técnica não será bem sucedida e, mesmo que seja, a manutenção do comportamento será sempre muito breve. 

Mudar não é fácil, mas é enriquecedor. Procure ajuda, foque-se no processo e os ganhos irão ultrapassar as dificuldades que teve, em chegar a este ponto.


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