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Liga a televisão, abre o Google, acede ao Youtube... O que é que estas coisas têm em comum? Uma enorme possibilidade de poder ver uma pessoa especialista em PNL, a dizer como todo o seu mundo pode mudar para melhor, claro! Verdade ou mentira?

Das mais diversas ofertas de formação que existem, inúmeras apresentam programas de treino e formação em PNL. Actualmente, PNL é um dos sistemas mais procurados, especialmente para vendas e organizações. Um sistema que promete revolucionar toda a estrutura de produtividade e aumentar a sua eficácia e os seus resultados. Mas será tudo isto verdade? E, afinal de contas, o que é PNL?

Para falarmos da Programação Neuro-Linguística, temos de recuar até aos anos 70, nos Estados Unidos. Aí encontramos Richard Bandler, um jovem estudante de Psicologia (imagine-se!) que, a dada altura realizou vários trabalhos de transcrição e tradução de obras de Fritz Perls, um dos criadores da Terapia Gestalt. Bandler levou esse trabalho tão a peito que, segundo testemunhos de colegas, começou a agir e a comportar-se tal como Perls faria. Juntamente com um colega chamado Frank Pucelik, Bandler utilizou os seus talentos para modelar competências, organizando grupos de Terapia Gestalt (é importante referir que, para além das obras de Perls, Bandler nunca teve formação no modelo Gestalt). 

Os resultados dos grupos mostraram-se bastante positivos, fazendo com que Bandler orientasse-se para outra terapeuta de excelência, Virginia Satir. Satir foi uma das pioneiras da Terapia Familiar e Sistémica, sendo reconhecida pela sua alta eficácia com pacientes. Não só aproveitando tempo com Satir e,à semelhança dos trabalhos de Perls, Bandler aproveitou a oportunidade para modelar as técnicas de Satir e integrá-las com o que ele e Pucelik estavam a fazer, nos grupos de terapia. Segundo Bandler, a eficácia dos grupos continuou a aumentar. 

Por volta desta altura, Bandler foi apresentado a um professor de Linguistica, de nome John Grinder. Grinder mostrou-se muito impressionado com o trabalho que Bandler estava a desenvolver, frisando que o caminho para a excelência seria analisar a forma e o conteúdo linguistico das intervenções de Perls e Satir, de modo a perceber-se porque eram tão eficazes, demonstrando que poderiam ser reproduzidas. Contudo, Pucelik preferia continuar com o trabalho que estava a ser desenvolvido, não vendo com bons olhos as ideias de Grinder. A crescente proximidade entre Bandler e Grinder fez com Pucelik se afastasse ou, acreditando noutros testemunhos, fora afastado por Bandler. Seja qual for o caso, Pucelik nunca teve o reconhecimento pelos avanços da PNL, informações que serão difíceis de encontrar em muitos livros sobre o assunto, excepção feita a um livro recente escrito em colaboração com John Grinder. 

O termo Programação Neuro-Linguística surge, pela primeira vez, com a publicação daquele que é considerado uma das "bíblias" da PNL, A Estrutura da Magia. Nele, Bandler e Grinder apresentam os princípios fundamentais da PNL, a sua definição e uma das frases mais conhecidas "o mapa não é o território". Para os autores, o especialista em PNL tem a possibilidade de operar mudanças, a nível neurológico, através da aplicação de constructos linguísticos e técnicas específicas. Não é o objectivo do texto descrever exaustivamente essas técnicas, se o leitor tiver interesse, existem recursos online, Youtube, ou mesmo dois manuais em português, escritos por José Figueira.

As ideias e as posturas irreverentes de Bandler e Grinder colocaram a PNL no mapa, fazendo com que fosse uma metodologia atraente, especialmente para não profissionais de saúde. A popularidade iria ainda escalar mais. Sob o conselho de Gregory Bateson, antropólogo e linguistico, Bandler começou a investigar o campo da Hipnose, nomeadamente o trabalho do psiquiatra norte-americano Milton H. Erickson. Tal como Perls e Satir, Erickson era considerado um dos terapeutas mais eficazes, com a sua abordagem inovadora de Hipnose e Terapia Estratégica. Os poucos encontros que Bandler teve com Erickson levaram-no a convencer de uma forma mais eficaz de PNL. Na sequência, Bandler e Grinder propuseram a sua análise de Erickson na obra Padrões Linguísticos Hipnóticos de Milton H. Erickson MD, Vol I & II, adicionando o Modelo Milton ao já modelo existente da PNL. Com esta adição, PNL tornou-se num fenómeno. 

Mais personalidades, como Steve Andreas e Robert Dilts, trouxeram novas perspectivas à PNL, oferecendo um olhar mais integrativo. PNL oponha-se a modelos terapêuticos formais, oferecendo menos pré-requisitos para a sua formação, maior e mais rápida eficácia no tratamento de perturbações médicas e mentais. No campo do comportamento não-verbal, a PNL apresentou o modelo ocular, onde afirmava que os a direcção em que uma pessoa movia os seus olhos não só indicava a sua preferência do que chamam de sistemas representacionais (visual, auditivo, cinestésico e digital), mas também se o que a pessoa afirmava e recordava era mentira ou verdade. 

A crescente popularidade e rendimento da PNL fez com que determinados acontecimentos surgissem. A grande aposta do modelo foi para a área de vendas e organizações, muitas vezes também associado a formas de Coaching. PNL tornou-se uma ferramenta de auto-ajuda e para palestrantes motivacionais, o mais famoso sendo Anthony Robbins. Quanto maior PNL se tornava, assim era o fosso na relação entre Bandler e Grinder. 

Em 1981, a relação entre Bandler e Grinder terminaria, com Bandler a colocar um processo legal pelo direito de autor do termo Programação Neuro-Linguística. Bandler venceu o processo, sendo concedido o direito de utilização exclusiva do termo, em formações e seminários, por 10 anos. Em 1996, Bandler instaurou dois novos processos contra Grinder, argumentando que este desrespeitou o acordo do processo anterior. Desta vez, Bandler perdeu o processo e o termo e tecnologia PNL e Programação Neuro-Linguística deixaram de pertencer a qualquer uma das partes. No inicio dos anos 2000, foi chegado um acordo de reconhecimento em como Bandler e Grinder eram os co-criadores e co-fundadores da PNL. Actualmente, Bandler reformulou o modelo clássico no que chama de DHR (Design Human Engineering) e NHR (Neuro Hypnotic Repatterning) e Grinder desenvolveu o que chama de New Code NLP.

Apesar de todos os esforços em contrário, PNL continua a ser um tema controverso. Empiricamente, os fundamentos da PNL nunca conseguiram ser provados, mesmo quando os próprios praticantes o tentaram. Qualquer pessoa pode praticar PNL, sem restrições de pré-requisitos, através dos modos de Practicioner, Master Practicioner, Trainer e Master Trainer, algo que pode custar mais de 3000 Mil Euros. Em termos de reconhecimento de formação, não existe nenhuma entidade responsável por esse reconhecimento sendo que, o máximo será uma certificação personalizada por Richard Bandler ou John Grinder. 

Expresso a importância de que PNL não é uma terapia, nem possui validade empírica e cientifica. A popularidade de PNL persiste na afirmação da sua eficácia, pelos mesmos, a procura por parte de profissionais de vendas, organizações, sistemas de coaching e mesmo por "hipnoterapeutas". 


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