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Post, Like, Live, Insta Story, Mentions, Snap, Emojis... Palavras que parecem não fazer sentido nenhum mas estão intrinsecamente ligadas ao nosso léxico e à nossa vida. O que estamos a falar? Redes Sociais!

Para as novas gerações, escrever WWW é tão normal como qualquer outra palavra do Dicionário da Língua Portuguesa. Mas a verdade é que nem sempre foi assim. A realidade portuguesa alterou-se, drasticamente, a partir do momento em que chega o acesso à World Wide Web, mais conhecida como Internet ou simplesmente Net. 

O acesso à informação tornou-se mais rápida e mais imediata, um assunto que poderia levar 3 a 4 livros diferentes de pesquisa, obteria-se a resposta num espaço de 10 a 15 minutos. A cada ano que passou, desde os anos 90, mais e mais temas podem ser encontrados online. Por exemplo, algo que se tornou numa extensa fonte de informação é a Wikipédia, uma página escrita por pessoas, especialistas e não especialistas, disponível em 10 línguas diferentes. Motores de busca como a Google tornaram-se autênticos impérios, assim como a Microsoft e Apple, enquanto fornecedoras de equipamentos. Se entrasses na discussão das operadoras de comunicação que oferecem os serviços de acesso à Internet, podíamos prolongar isto até dias e dias. 

Com o acesso à informação mundial, foram criadas formas de pessoas entrarem em contacto mundial quase imediato. Assim surgem as salas de chat, espaços informáticos, com um tema base (podendo ser um assunto ou cidade), onde pessoas podiam entrar em conversação, supostamente protegidas pelo anonimato de um nickname. Para as pessoas mais velhas, como eu, de certeza que vão reconhecer as salas de chat mais populares em Portugal, o IRC. Conhecido como mIRC, o IRC dava ao utilizador um conjunto de salas temáticas nacionais e, em versões mais avançadas, internacionais. A pessoa registava-se no mIRC, utilizando um conjunto de letras e números (o tal nickname) pela qual desejavam ser conhecidos. A ordem dessas salas era estabelecida pelos utilizadores mais antigos, conhecidos como operadores e reconhecidos pelo sinal @. Já na altura, é um facto, a preocupação na diferenciação dos conteúdos era tida em causa, existindo as salas temáticas gerais e as salas de conteúdos adultos, para mais de 18 anos. Mas o sistema estava longe de ser perfeito.

Nem a Internet nem os responsáveis pelo mIRC tinham o poder para controlar e verificar as descrições dos utilizadores. Mulheres poderiam ser homens, homens poderiam ser mulheres e qualquer pessoa poderia ter a idade que desejasse. Estava montado o precedente para o aproveitamento de menores. Se o assédio e os chamados predadores sexuais sempre existiram, a Internet e os chats colocavam uma ferramenta extremamente útil e poderosa para essas personalidades perturbadas. A ficção mistura-se com a realidade, a partir do momento em que utilizadores começaram a marcar encontros reais. Poderia ser algo bom, afinal a pessoa saía por detrás de um teclado e socializava, isto se muitas das informações dadas e os objectivos do encontro fossem autênticos. O que poderiam não ser. Para aumentar ainda mais o perigo, as salas começaram a desenvolver mecanismos de levar as conversas para janelas privadas, onde cada um falaria sobre o que entendesse, sem qualquer controlo e poderia mesmo enviar ficheiros privados (quando a tecnologia scanner foi desenvolvida, as fotografias começaram a ser digitalizadas e partilhadas pela Internet). 

Pensaria-se que poderíamos aprender com estas experiências e tornar a Internet mais segura, para os nossos jovens. Ainda acabámos por fazer pior. A resposta foi encontrada nos sites de partilhas de perfis, para inúmeros fins. O inicio das verdadeiras Redes Sociais, se preferirem. Em Portugal, o mais popular entre jovens e adultos foi o Hi5. Este site possibilitava a pessoa criar um perfil, com informações biográficas, profissionais e lúdicas, juntamente com fotografias. Já não existia salas de conversação, mas havia grupos de interesse. O contacto entre pessoas era realizado pela solicitação de pedidos de ligação, algo que a pessoa poderia aceitar ou recusar. Se aceitasse, ambas as pessoas teriam acesso a todas as informações disponibilizadas e poderiam entrar em conversação directa, por mensagens. Como os perfis eram mais visuais do que os chats, o número de acções de risco aumentaram, tanto nacional como internacionalmente. Até à data, o site ainda existe, com uma imagem diferente, não deixando de ser um facto que o Hi5 tornou-se num site de encontros para fins, na maior parte das vezes, de interesse sexual. É desta que aprendemos a ser melhor... Mas não!

A popularidade do Hi5 originou uma série de sites semelhantes. Na tentativa de lançar uma boa imagem, algumas redes sociais puramente profissionais foram criadas. As mais conhecidas são o Twitter e o Linkedin, redes sociais com o objectivo principal de publicitar e mostrar conteúdos profissionais. Esse objectivo foi bem conseguido, especialmente no que respeita ao Linkedin. Se é um facto que o Twitter permite a publicação de conteúdos que podem ser considerados pouco seguros, nem de perto se compara a outros sites. Actualmente, o Linkedin é uma ferramenta utilizada para o recrutamento e selecção de ofertas e profissionais. Contudo, as redes sociais para jovens entraram em força. Badoo, Twoo, Orkut (esta de origem brasileira) aliciavam à participação desinibida de jovens, aumentando os comportamentos de risco, de uma forma mais acessível. Reconhecendo isto, adultos começaram a participar nestas redes, percebendo que o aliciamento de adolescentes era mais fácil do que até mesmo adultos. 

A próxima tentativa até se mostrou algo sucedida, até à pouco tempo. Criado por estudantes, o Facebook tornou-se num fenómeno mundial. A verdade é que todas as pessoas sabem o que é o Facebook, mesmo que não estejam registadas lá. Ao contrário de outras redes, o Facebook oferece inúmeras opções. Desde o perfil pessoal, com e sem reservas de informação, páginas profissionais, grupos de temas diversos, jogos, publicidade, mensagens, sistema de Messenger (mensagens instantâneas)... O Facebook tornou-se num mundo. O seu impacto mudou tanto a realidade que as novas gerações têm alguma dificuldade em imaginar um mundo sem Facebook. Infelizmente, as falhas tornaram-se evidentes. Em primeiro lugar, o Facebook possui um limite de 13 ou mais anos para se inscreverem, sem solicitarem qualquer comprovativo de veracidade, sem ser a palavra da pessoa. Recentemente, a segurança dos perfis do Facebook ficou em risco, com uma série de ataques de hacking, entrando e usando de forma errónea perfis de utilizadores. O problema dos perfis falsos continua a existir, sendo que casos públicos de predadores sexuais tem vindo a aumentar. A integração do Facebook e outras Redes Sociais permitiu solidificar o fenómeno do Cyberbullying, o acto de exercer violência e pressão psicológica sobre pares, via Internet. Esta é uma situação crescente que, supostamente, já levou jovens a cometerem tentativas e actos consumados de suicídio. Mais recentemente, o que ficou conhecido como "Jogo da Baleia Azul" criou pânico e comportamentos de risco, entre os nossos jovens.

Finalmente, em termos de Redes Sociais, há que referir o Instagram. Contrariamente a outras Redes Sociais, o principal foco do Instagram está nas fotografias. Com a possibilidade de criar pequenos videos, colocar filtros em fotos, realizar comentários e enviar mensagens privadas, o Instagram é uma das redes de excelência, entre jovens e celebridades. Para vários especialistas, o Instagram (assim como outras redes) aumenta a adição aos smartphones, pela intensa utilização de câmaras para tirar fotos e "selfies". Um outro risco associado ao Instagram está nas perturbações que envolvem comportamentos relacionados com a imagem, podendo ser disformias, anorexias, bulimias, etc. 

Qual é a solução então? Proibir os jovens de estar nas redes sociais?

Como referido, as Redes Sociais são uma parte integrante da nossa sociedade e da nossa realidade. Extinguir ou impedir pode ser algo que piore a situação actual. A solução deve então passar pela prevenção e educação. Em primeiro lugar, as crianças só devem ter acesso a Redes Sociais quando tiverem maturidade suficiente para compreensão e, quando isso acontecer, deve ser regulada pelos pais. Os pais devem estar na rede social do filho sem ser controlador. Os outros devem reconhecer quem são os pais, mas verem que os pais não dinamizam as relações sociais dos filhos. Pais devem orientar e regular conteúdos e fotografias que são colocadas nas Redes Sociais. O que muitos não percebem é que, a partir do momento em que algo esteja na Internet, nunca verdadeiramente desaparece. As famílias, mesmo aquelas que utilizam a imagem para fins publicitários ou profissionais, têm direito à sua privacidade. Logo, exporem todo o espectro da sua vida e de filhos não é aconselhado pois podem estar a colocar em risco crianças e jovens, principalmente. 

Termino reforçando uma ideia essencial. No que respeita às Redes Sociais, é importante a correcta gestão e educação para crianças, jovens e adultos!


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