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Um psicólogo pode-lhe pedir que se deite num divã. Outro pede que sente, junto a uma secretária. Outro pede que se sente numa cadeira, quase frente-a-frente. Uma fala sobre a sua relação com família, outro sobre o que sente e outro sobre o que pensa. Existem muitos modelos mas, qual será o futuro da Psicoterapia?

As origens da Psicoterapia remontam até à Grécia Antiga onde, a palavra e a sugestão eram usadas como forma de aconselhamento e auxilio do próximo. É fácil então perceber que, desde à centenas de anos, o Homem tenta ajudar e preservar a Saúde Mental do Outro.

O campo da Psicoterapia tornou-se mais organizado e exposto com o trabalho e a popularidade de Sigmund Freud. Um dos pais da Psicanálise, Sigmund Freud era um neurologista austríaco que considerava que, por detrás de sintomas físicos não quantificáveis pela patologia biológica, teria de existir algo inconsciente que estive a agir, perante o sintoma. Por muitos considerado brilhante, por outros controverso, é inegável a marca que Freud deixou no campo da Psicoterapia, definindo condições que ainda hoje são seguidas. 

A partir da Psicanálise, novos caminhos foram traçados. Alguns no seguimento do pensamento de Freud, outros em clara oposição. Um exemplo será o Comportamentalismo, uma nova forma terapêutica impulsionada por John B. Watson. Contrariamente à linha psicanalítica, onde a análise essencial residia no inconsciente, Watson desvalorizou o intrapsíquico e concentrou-se no comportamento observável. Watson afirmava que através do Condicionamento Clássico (método tornado popular por Ivan Pavlov), seria possível transformar o sujeito naquilo que seria desejável, ignorando partes como a personalidade. Actualmente, formas puras de Comportamentalismo já não são tão usuais de encontrar mas, intervenções baseadas em estratégias comportamentais podem ser encontradas, em Psicoterapia Comportamental e Cognitiva. 

Mais próximo das raizes humanistas, das quais a Psicologia surgiu, temos as intervenções existenciais-humanistas, caracterizadas por serem centradas no sujeito, nas questões existenciais da vida interna e externa do sujeito e pela crença que todos nós temos os recursos necessários para lidar com a adversidade. Como exemplos temos a Logoterapia de Viktor Frankl, Terapia Centrada no Cliente de Carl Rogers e a Terapia Gestalt, de Fritz Perls e colegas. 

A revolução industrial e ciência trouxe os avanços da Psicologia Cognitiva, uma perspectiva mais centrada no processamento e assimilação da informação, das cognições e a analogia da mente como um computador. Aaron Beck (Terapia Cognitiva) e Albert Ellis (Terapia Racional Emotiva) são considerados os pais da Psicoterapia Cognitiva. Beck e colegas integraram estratégias cognitivas e comportamentais, fundindo-se no que é conhecida como Terapia Comportamental e Cognitiva, a forma de Psicoterapia que foi considerada mais eficaz, em termos de resultados de investigação.

Até agora, conseguimos perceber que formas de Psicoterapia têm surgido através de intervenções clinicas experimentais, resultados de protocolos de intervenção empiricamente validados ou simplesmente com o objectivo de compensar os pontos fracos de Psicoterapias pré-existentes. Este movimento fez com que uma guerra surgi-se, de modo a tentar reclamar qual seria a forma de Psicoterapia superior, face às existente. 

Todavia, um outro movimento foi sendo gerado através da necessidade que investigadores e clínicos sentiram, ao perceberem que a forma como faziam Psicoterapia e as suas intervenções não estavam a ser suficientes, para lidar com cada sujeito. Assim, começaram a perceber de que forma poderiam integrar técnicas de outros modelos à sua formação inicial e também quais eram os factores comuns, a todas as formas de Psicoterapia, que prediziam o sucesso das intervenções psicoterapêuticas. 

A SEPI (Sociedade para Exploração e Integração em Psicoterapia) surgiu com o propósito de promover as práticas de investigação e integração em Psicoterapia, de modo a aumentar a eficácia dos terapeutas, na condução das intervenções com clientes.

O próprio movimento das chamadas Terapias de 3ª Geração é integrativo pois, cada nova forma terapêutica criada, possui elementos de mais do que uma terapia formal pré-existente. Com isto, é conclusivo dizer que o caminho da Psicoterapia parece ser, cada vez mais, no sentido da integração e não do afastamento. Grande parte das sociedades terapêuticas já se tornaram mais expansivas à integração de técnicas vindas de outras teorias. Contudo, para que tal aconteça, devera haver uma base formal bem estabelecida, para que o terapeuta possa perceber o que será necessário integrar no seu estilo terapêutico e quais são as melhores técnicas. 

Nesta perspectiva, o objectivo mais importante será a flexibilização, tendo como base cada sujeito que nos chega a terapia. Ser-se integrativo é perceber que cada pessoa tem as suas próprias necessidades e que temos de intervenção, em função das mesmas. 

Termino com uma referência história, da Mitologia Grega, de Procrustes. A lenda faz referência a um ferreiro e bandido chamado Procrustes. Filho de Poseidon, Procrustes possuiu uma habituação no caminho entre Atenas e Eleusis. Nessa habitação, Procustes tinha uma única cama que oferecia, a cada viajante. Se o viajante tivesse mais comprimento que a cama, Procrustes amputava os seus membros. Se o viajante fosse menos comprido que a cama, Procrustes esticava os seus membros. A finalidade era que a pessoa coubesse na cama, de qualquer forma. 

Milton H. Erickson, conhecido psiquiatra americano pela sua abordagem estratégica e estilo de Hipnose, referiu-se a esta lenda, de modo a sugerir que a terapia terapia de ser feita à medida da pessoa.

24/07/2017

Pedro Ribeiro

 


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