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Durante horas, investiu tempo e dinheiro em formação. Leu tudo o que conseguiu arranjar. Entre horas de trabalho, ficou extremamente impressionado(a) com o impacto dos seus formadores. Tanto até que começa a tentar imitar os seus maneirismos, palavras e postura. Acha que são os melhores que alguma vez encontrou, uma referência. Termina a formação e quer estar nas consultas, como eles estão. Será que vale a pena? Será que vai ter os resultados que deseja?

Seja em Psicologia, Psicoterapia ou Hipnose, é indiscutível que formação constante é algo essencial para o desenvolvimento e atualização dos técnicos. É certo que a literatura tem evoluído imenso, tanto em investigação cientifica, como na construção de manuais técnicos de alta qualidade. Mesmo assim, a literatura só nos leva até um certo ponto e não deve ser um substituto para treino e formação presencial.

Refiro formação presencial como um primeiro instrumento de conhecimento. A evolução dos tempos, dos sistemas de formação e da tecnologia permitiu a criação de novos sistemas de formação. Primeiro as plataformas Moodle, com a vertente E-Learning. Depois surgiu a inclusão de sistemas de video, como as videoconferências, Skype e, mais recente, redes sociais como Facebook, grupos de WhatsApp ou Google+. Até ao momento, temos o sistema B-Learning, um sistema de formação híbrido onde juntamos uma maior parte de E-learning com uma pequena parte presencial. 

Sem dúvida que estes sistemas vieram facilitar o acesso à formação, especialmente para pessoas que tenham dificuldades em encontrar horários adequados ou deslocações. Contudo, certos temas necessitam de uma abordagem presencial, devido à sua complexidade e aspectos práticos. Por exemplo, Psicoterapia e Hipnose são áreas em que a formação presencial é essencial! Sendo que existem muitas ofertas de videos ou matérias de treino online, estas são áreas em que o treino presencial com um técnico devidamente qualificado, irá fazer com que os aspectos mais sensíveis sejam devidamente ensinados a lidar.

Neste sentido, defendo a posição que a primeira experiência formativa em Psicoterapia e/ou Hipnose seja feita de modo presencial, com alguém devidamente qualificado. Com o ganhar da experiência e prática, certos temas extra, mesmo que sejam dentro destas áreas, poderão ser aprendidos por outros meios, como o E-Learning ou B-Learning.

Tal como decorre em vários aspectos do processo de aprendizagem, um dos fenómenos que acontece no contexto formativo é uma identificação com o formador e até mesmo uma idolatração. Quando falo neste termo, referiu-me aos aspectos e características profissionais e não necessariamente a aspectos mais pessoais. Estes fenómenos ocorrem com maior impacto quanto mais cativante, maior autoridade técnica e conhecedor for o formador e, também, caso seja a primeira experiência da pessoa, dentro dessas áreas. 

Ao longo de todo o processo formativo, é normal que o formando vá, progressivamente, imitar os maneirismos, postura e a técnica do formador. Tal como uma aspirante a futebolista profissional tentar imitar o que faz o Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi. Naturalmente, essa atitude vai-se transpondo do contexto formativo para o contexto profissional. E aí é que podem começar as dificuldades. 

É importante perceber que o formador é alguém que adquiriu um conjunto de experiência, tanto académica, como profissional. É alguém com prática e sensibilidade clínica, devidamente apurada pela experiência e a resolução de situações complexas. É algum que possui uma visão da área, do modelo em que trabalha e das pessoas, com base nas suas próprias características pessoais e profissionais. Ou seja, também ele se torna único. E, embora técnicas possam ser aprendidas e imitadas, já não é o mesmo com características pessoais e experienciais. 

Quando transposto para a realidade profissional, o recém formando irá perceber que certas coisas poderão acontecer. As técnicas custam mais a ser aplicadas. Parece que a qualidade da relação não é tão bem estabelecida como quando o formador a demonstrou. As mesmas palavras que o formador utilizou parecem não sair tão bem. Sobretudo, parece que aquilo que nos impressionou, pode não estar a passar para o cliente.

Se nós não somos iguais aos nossos formadores, também não temos de agir da mesma forma, no contexto profissional. Devemos, sim, aprender as técnicas, conhecimentos e ideias, que o formador tem para nos passar e, incorporá-las no nosso conhecimento prévio. Na nossa própria visão do que deve ser terapia ao serviço do outro. Quando isso acontece, vamos desenvolvendo o nosso próprio estilo e forma de estar em terapia. 

Em última análise, sermos originais e desenvolvermos a nossa própria maneira de estar, em terapia, vai beneficiar a nossa prática, aumentar o nosso conhecimento, melhorar a nossa eficácia, aumentar a nossa auto-estima e confiança em como somos capazes de fazer terapia e, sobretudo, permite-nos a flexibilidade para estar no momento presente, junto do cliente e podermos acompanhá-lo no seu processo de desenvolvimento pessoal e profissional. 

Para todos aqueles que acreditam na terapia feita à medida do cliente, esta é uma postura importante que têm de ter. Sintam-se confortáveis na vossa própria pele e tenham a vossa abordagem à terapia. 

 

 

 

 

 


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