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Na continuação dos artigos anteriores, vamos explorar de que forma Hipnose pode ser utilizada no contexto médico.

Hipnose possui um lugar especial, no campo médico. Muitos dos autores históricos da Hipnose foram médicos que, à sua própria medida, trouxeram avanços e utilidade à Hipnose.

Por exemplo, o método precursor da Hipnose, Mesmerismo, foi concebido por Franz Anton Mesmer, um médico alemão. Apesar de controverso e, em última análise, desacreditado pela monarquia francesa, é inegável o lugar de Mesmer, enquanto impulsionador de métodos alternativos de tratamento. O próprio Benjamin Franklin, presidente da comissão encarregada de avaliar a eficácia do Mesmerismo, deu principal relevância ao papel da sugestão, enquanto facilitador da cura.

James Esdaile foi um médico cirurgião escocês, que trabalhou muitos anos na Índia. Um seguidor do Mesmerismo, Esdaile utilizava práticas mesmericas para preparar pacientes para cirurgias. Após cerca de hora e meia, o paciente era operado, sem necessidade a ser utilizada anestesia química e sem qualquer desconforto. Esdaile realizou centenas de operações, incluindo amputações de membros, com sucesso. Os seus artigos científicos foram escritos no sentido de sensibilizar a comunidade médica a estes novos métodos. Contudo, após o regresso ao Reino Unido, Esdaile foi incapaz de reproduzir as condições necessárias para colocar os pacientes nesse estado, acabando por ser desacreditado pela comunidade médica. 

James Braid, médico cirurgião escocês é considerado o pai da Hipnose. Impulsionado pelo Mesmerismo, Braid tentou comprovar que alterações psicológicas e fisiológicas, provocadas pelo Mesmerismo, eram falsas e que tudo se tratava de uma encenação. Não só Braid estava enganado como descobrir alguns dos mecanismos pelos quais as pessoas entravam nesse estado. Braid denominou esse estado como Hipnotismo, mais tarde formulado como Hipnose. O nome foi infeliz, fazendo referência a Hypnos, o Deus Grego do Sono, por se achar que a pessoa entrava num estado de "sono artificial". Braid pretendia a alteração do termo para Monodeismo, mas o termo Hipnose tornou-se demasiado popular e enraizado na cultura. 

Jean-Martin Charcot foi um médico neurologista francês, responsável pela clinica neurológica do Hospital de La Salpêtrière, em Paris. Charcot considerava que Hipnose e Histeria tinham uma relação directa, ao ponto de considerar que apenas os pacientes histéricos poderiam ser hipnotizados. Um instrutor e apologista do trabalho hipnótico, Charcot foi o responsável pela criação da Escola de Paris, uma das linhas teóricas da Hipnose.

Sigmund Freud, médico neurologista austríaco e considerado um dos pais da Psicanálise, foi um dos grandes estudantes de Charcot. Durante o início da sua carreira, Freud foi um grande defensor do uso da Hipnose, tanto a nível académico, como a nível prático. Freud decidiu abandonar o uso da Hipnose, em função das técnicas que viria a desenvolver e torná-las como o núcleo da Psicanálise. 

Milton H. Erickson foi um médico psiquiatra americano e considerado o pai da Hipnose Moderna. Erickson foi um dos maiores terapeutas, utilizando os seus conhecimentos em medicina, psiquiatria, Psicanálise e a sua crença no poder do seu humano, principalmente em acreditar que todos temos os recursos necessários para lidar com as adversidades do mundo. Erickson adaptou o estilo de Hipnose tradicional à sua própria forma de fazer terapia. Isso veio a ser conhecido como as Abordagens Ericksonianas à Hipnose e Psicoterapia Breve.

Com todas estas e mais referências históricas da Hipnose, no contexto médico, veremos então como ela pode ser aplicada:

- Hipnose na dor: como referido no artigo anterior, a intervenção na dor é um dos campos onde Hipnose demonstra ser mais eficaz. Sendo a dor um conjunto de questões psicológicas e fisiológicas, Hipnose pode ser utilizada para reduzir dor, ajudar na reabilitação física de uma pessoa ou mesmo para dar alguma qualidade de vida, no caso da dor crónica ou dor relacionada com doenças oncológicas.

- Hipnose no contexto dentário: Hipnose pode ser usada para remover a fobia a dentistas ou trabalho dentário, alivio de dor, intervenções dentárias sem recurso a anestesia e melhoria na recuperação, pós cirúrgica.

- Hipnose em intervenções cirúrgicas: Hipnose pode ser utilizada como um auxiliar da anestesia química, ou até mesmo um substituto. Nesse sentido, pode ser utilizada em pequenas cirurgias, cirurgias não evasivas e, em alguns casos, cirurgias mais profundas, como operações à espinal medula. 

- Hipnose no parto: Hipnose pode ser utilizada para ajudar a relaxar mulheres grávidas, tornar a gravidez em algo mais relaxado e menos doloroso e até mesmo permitir que a pessoa tenha um parto completamente natural, sem recurso a epidural ou qualquer outra anestesia. 

- Hipnose na reabilitação física: Em termos de processos de reabilitação física, Hipnose pode permitir a aceleração da recuperação, através da redução da dor e aumento do sistema imunológico da pessoa.

Se quiser saber mais sobre as utilizações de Hipnose, contacte-nos!


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