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Agora que você tem os seus objectivos bem definidos, um plano de acção traçado, acompanhamento personalizado, finalmente parece que a mudança vai acontecer. Fica espantado e entusiasmado como acontece tão rapidamente, quase como se fosse por magia. Mas será mesmo que mudou? E se sim, é para durar?

Antes de mais, deixa-me esclarecer algo: em terapia, magia não aconteceu, a mudança é um trabalho em construção e as responsabilidades não são exclusivas ao terapeuta!

Vamos então ver cada ponto. Em modos terapêuticos estratégicos, breves ou em Hipnose, o tempo de duração e resultados costumam surgir muito mais rápida que em modelos de média-longa duração. Digo costumam pois, mesmo esses, podem ser mais longos do que o esperado, não existe uma receita fixa. Esta rapidez no processo pode fazer com que o terapeuta pareça mais como um mágico ou feiticeiro, do que um profissional de saúde. A verdade é que este conjunto de formas terapêuticas e técnicas são desenhadas e estruturadas para elicitar respostas e mudanças, no mais curto espaço de tempo. Por serem bastante "poderosas", por assim dizer, é sempre aconselhável que se procure profissionais devidamente credenciados, para as aplicar. 

Qualquer mudança, seja pequena ou profunda, curta ou longa, tem um ritmo próprio e um percurso muito especifico. Tão especifico que Norcross, Prochaska e DiClemente criaram o Modelo Transteórico da Mudança, um modelo de fases da mudança que não tem como base uma teoria específica, o que que faz com que qualquer modelo terapêutico possa introduzi-lo, na forma como conceptualiza um caso. Por esse motivo, a mudança é algo que ocorre ao longo de tempo, possui etapas diferentes e exige uma postura diferente, tanto do terapeuta como do cliente, para cada uma dessas etapas. 

Apesar do bom trabalho do terapeuta, quando o processo é bem sucedido, este não deve manter a exclusividade da responsabilidade pelo bom trabalho. Este é um trabalho conjunto de sintonia, entre terapeuta e cliente. Embora alguns modelos possam dar a imagem de um terapeuta, numa posição superior, face a um cliente que precisa de saber o que fazer, terapia é um processo colaborativo, em que o terapeuta é um guia para o desenvolvimento pessoal, social e profissional do cliente. Terapia abre caminhos para que o cliente possa perceber outras soluções, mas terá de ser este escolher percorrer-las ou não. A investigação tem demonstrado que um dos factores de sucesso da terapia são factores que acontecem, fora do contexto terapêutico. Isto é, suporte social e familiar, recursos internos do cliente, a capacidade para traduzir as soluções da terapia para o contexto do dia-a-dia, etc. 

Muitas pessoas podem passar a ideia: "Agora que mudou, vai ver que vai conseguir realizar os seus objectivos com toda a facilidade, só precisa de confiar nas suas competências!". Isto não é completamente verdade. Esta postura vai depender do género de mudanças que você quer implementar, umas são mais fáceis do que outras. 

Por exemplo, mudanças que mexam em comportamentos complexos e antigos, como deixar de fumar, perda de peso ou largar consumos, são mais difíceis de serem mantidas. Por norma, a nossa rotina faz com que se crie uma "zona de conforto". Mesmo que esses comportamentos não sejam bons para nós, enquanto permanecermos nesta "zona de conforto", dificilmente vamos alterá-los. Geralmente, só com ameaças à nossa integridade é que ficamos motivados a mudar. E mesmo quando já estamos a implementar as mudanças, podem existir momentos ou estímulos específicos que nos podem fazer levar a essa "zona de conforto" novamente. Na literatura sobre adições, isto é o que se chama recaída. E uma parte das intervenções terapêuticas devem trabalhar a prevenção da recaída, relevando que a recaída é algo natural num processo de mudança e que a pessoa já tem um novo conjunto de ferramentas, que lhe vai permitir não voltar à estaca zero.

Para evitar esta situação, devemos então pensar na nossa chave do sucesso, disciplina! É estarmos cientes dos nossos comportamentos, emoções e pensamentos. É realizarmos os esforços para continuar em direção nos objectivos que nos propusemos. É estarmos com atenção plena, no aqui e agora. É aceitarmos que as situações que nos aconteceram permanecem no passado e que temos o poder para escolher seguir em frente. É sabermos perdoarmo-nos.

Sobretudo, é aprender a gostarmos de nós próprios como elementos únicos e especiais. 

Pratique a disciplina todos os dias e verá que mudança será muito mais recompensadora!


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