Artigos

Você entra no espaço de um terapeuta, pela primeira vez. Não faz ideia do que pode esperar. Será uma relação normal? O que é que o terapeuta pode fazer? O que não pode fazer? Até onde é que uma relação terapêutica deve ir? Hoje vamos debruçar-nos sobre isto: Ética!

Desde o nosso nascimento, todos nós adoptamos diferentes papéis, consoante o nosso desenvolvimento. Somos filhos, amigos, companheiros, namorados, maridos, pais, colegas de trabalho... Enfim, todos estes e muitos mais. Um aspecto que todos estes papéis têm em comum é o facto de todos implicarem uma relação. 

Claro que a relação estabelecida difere de papel para papel. Como imagina, a forma como interagirmos com uma colega não será a mesma forma de interacção com uma namorada. A não ser que ambas sejam a mesma! Mas penso que sabe onde quero chegar. O mesmo se aplica a uma relação terapêutica. 

Uma relação terapêutica implica vários aspectos como a prestação de um serviço, uma queixa de algum aspecto que preocupa ou interfere com a vida do cliente, um técnico que detêm um conhecimento específico para conseguir aconselhar o cliente. Não sendo uma relação normal, é fácil ser conferido ao terapeuta uma posição de poder, quer seja implícito ou explicito. Desta forma, os cuidados na relação devem ser redobrados e a Ética ajuda a que isso seja conseguido. 

De uma forma simples, Ética é uma disciplina que pertence à Filosofia. Esta disciplina procura a resolução de dilemas morais, onde as implicações e conceitos do bem e do mal se encontram envolvidos. Ao mesmo tempo, a Ética procura explorar os direitos fundamentais que todos os seres possuem. É a partir dessa exploração que conseguimos obter, por exemplo, os Direitos Humanos. Também a Ética tem um peso considerável no estabelecimento das Leis que nos devemos reger, enquanto sociedade. 

Claro que a Ética e os conceitos que trabalha são muito gerais, podendo ser aplicados a muitas vertentes. Tão gerais que muitas classes e profissões resolveram incorporar a Ética como uma necessidade de actuação profissional. Nesse sentido, a aplicação da Ética às profissionais tem o nome de Deontologia. A prática deontológica permite que o profissional deve respeitar uma séria de regras e princípios que deve manter, para o bem da profissão. O não cumprimento faz com que possa ser responsabilizado, face ao organismo que regula a sua prática profissional. Na sociedade actual temos, por exemplo, Advogados, Contabilistas Certificados, Médicos, Engenheiros, Arquitectos, Nutricionistas, Psicólogos entre outros. Em suma, a maior parte das profissões regidas por Ordens Profissionais possuem Códigos Deontológicos a regularem a sua prática. 

O que é que isto representa para a Psicoterapia e Hipnose? Bem, representa muito. 

Actualmente, a maior parte das Psicoterapias formais, Sociedades e Associações de Psicoterapia, apenas admitem na sua formação profissionais de saúde mental, ou seja, Psicólogos e Psiquiatras. Por conseguinte, toda a sua prática profissional está regulamentada pelos Códigos das Ordens a que pertencem incluindo a prática de Psicologia ou Psiquiatria, Psicoterapia, Hipnose (caso tenham formação em Hipnose) e mais técnicas. Caso queira saber como os Psicólogos se devem comportar, basta que aceda a este link https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/web_cod_deontologico_pt_revisao_2016.pdf.

Por outro lado, a figura de "Hipnoterapeuta" não é reconhecida como profissão, por Lei. Não existem leis ou regulamentação sobre Hipnose, excepto o Hypnotism Act.

Criado em 1952, no Reino Unido, o Hypnotism Act é um documento que rege as demonstrações públicas de Hipnose, abrangendo Hipnose de Palco e Hipnose de Rua. Se tiver curiosidade por consultar em http://www.legislation.gov.uk/ukpga/Geo6and1Eliz2/15-16/46.

O que isto quer dizer é que não existe qualquer código de conduta ou Lei que regule o comportamento e actuação de "Hipnoterapeutas". O que quer dizer é que um "Hipnoterapeuta" pode escolher a postura a adoptar, que regras quer estabelecer, que relação ou que contacto pretende ter com o cliente e assim sucessivamente. Isso pode fazer com que os riscos de abuso e má prática aumentem, exponencialmente. 

Uma nota. Todas as profissões têm bons e maus profissionais! Existem bons Psicólogos mas também colegas que realizam práticas duvidosas. E embora o Código não nos algeme às boas práticas, o facto de existir e de ser uma profissão regulada por uma Ordem Profissional significa que o cliente lesado tem um organismo que funciona e que disciplina as más práticas. Desde a criação da Ordem dos Psicólogos Portugueses (2011), inúmeros casos já foram apresentados e devidamente disciplinados pelo Conselho Jurisdicional, um orgão independente que tem como objectivo analisar e julgar todas as queixas de más práticas. 

Qualquer pessoa em sofrimento que queira ajuda, é uma pessoa está num nível de fragilidade. Para alguns, é uma janela de oportunidade para aproveitamento emocional e financeiro. Na procura de profissionais, esteja sempre atento à credibilidade e modo de actuação. A sua segurança e saúde devem estar sempre em primeiro lugar! 

 


ASSINE NOSSO EBOOK!
É GRATUITO

Os seus dados serão utilizados unicamente para receber novidades nossas. Não serão divulgados.