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Estamos nos anos 70, quando um jovem realizar chamado George Lucas introduz uma das maiores histórias da sétima arte, Star Wars! Ao longo dos anos, Star Wars tornou-se uma parte icónica da nossa cultura assim como o seu enorme impacto. Mais do que a história de amizade, amor, família, valores morais, guerras e discussões políticas, existe uma filosofia e um estilo de vida por detrás, a Força. Mas o que terá a metáfora de Star Wars em comum com Psicoterapia e Hipnose?

É a minha crença que grande parte de realizar Psicoterapia, Hipnose e mais técnicas semelhantes tem muito de arte e ser artístico. Por mais técnica e conhecimentos que a pessoa possa adquirir, no momento em que está em terapia, decisões têm de ser tomadas e caminhos têm de ser escolhidos. A maior parte dos casos não são tão lineares como os exemplos descritos em manuais, o que faz com que o terapeuta deva encontrar soluções adaptadas ás condições e pessoa com quem se encontra em relação. E mais do que decisões técnicas, muitas requerem criatividade. Nesse sentido, o terapeuta é um artista criativo. 

Voltando à arte, permitam-me que explique a minha metáfora de Star Wars. No universo que George Lucas criou, a Força é uma filosofia de conduta moral e de crenças metafísicas numa unidade energética que une e nutre todos os seres vivos. A Força dá conhecimentos e é um fonte de poder para quem se dedica a ela e a estuda. Ao longo da história de Lucas, ficamos a conhecer que quem se dedica ao seu estudo são os Jedi e os Sith. Mas nem sempre foi assim. 

Para surpresa de muitos, os Jedi e os Sith eram apenas um só. Mas enquanto uns dedicaram-se ao conhecimento, tanto para si como para os outros e a atitudes altruístas, outros dedicaram-se a acumular poder para si próprios e viver segundo as suas paixões e emoções mais intensas. E assim, uma fossa foi criada entre cada um, constituindo duas Ordens. 

Claramente temos vindo a associar a Ordem Jedi a um lado puro da Força, um lado de luz, altruísmo, paz e autoconhecimento. Pelo contrário, a Ordem Sith está ligada a um lado negro e distorcido, vivendo para acumular poder e manipular todos ao seu redor, para proveito próprio. Ou seja, uns são bons e outros são maus. Parece simples, não é? 

O problema é que o conceito da Força não é dogmático, é fluido. Aquele que é considerado o maior vilão da história percorreu esse extremo, muito pelo contexto da sua história pessoal e das emoções que viveu. Talvez os Jedi tivessem errados no que respeita a suprimir as emoções. Talvez as devemos sentir, vivenciar, atribuir-lhes um significado. 

Mas a filosofia Sith também tem os seus problemas. Quanto mais poder se tem, mais se cobiça e mais medo temos de o perder. Como tal, fazemos o que for preciso para o manter, incluindo mentir, manipular, magoar o outro. Tudo para a nossa própria protecção. 

A imagem da Força como um contínuo vem da história, não tanto dos filmes, mas sim dos livros publicados. Neles, podemos encontrar várias personagens que alternaram entre lados da Força e mesmo aqueles que parecem caminhar no meio, assumindo a existência de ambas as partes e procurando um novo conceito: o equilíbrio. 

E é nesta altura que o leitor se poderá questionar o que é que Star Wars tem haver com Psicoterapia e Hipnose. Especialmente o Lado Negro? 

Pessoas que se dedicam às profissões de saúde mental ou de cuidar, em geral, passam anos da sua vida a adquirirem conhecimentos e técnicas criadas para ajudar as pessoas que nos chegam. Essas pessoas encontram-se fragilizadas a vários níveis e com intensidade diferentes. O que no fundo acontece é que essas pessoas depositam as suas esperanças, expectativas e vidas nas nossas mãos, como os escolhidos para as levantarmos e dar-lhes força e ferramentas para poderem encarar a vida. Isso é um enorme poder, não concordam?

Persuadir alguém implica fazer com que a pessoa veja novas perspectivas e que essas novas hipóteses não lhe tragam mal. Mas manipular alguém implica fazer com que pessoa tome as decisões e faça o que queremos, mesmo que isso a prejudique.

Todas as técnicas e a relação terapêutica têm a potencialidade para manipulação. Nós somos os terapeutas com as técnicas e conhecimentos que vamos "curar" a pessoa. A pessoa coloca a sua saúde, segurança e vida nas nossas mãos. Está disposta a fazer grande parte ou tudo o que dizemos. Para muitos, a tentação para manipulação cresce cada vez mais.

Hipnose é um técnica de comunicação mais profunda e eficaz que outras. Isso faz com que os resultados sejam mais poderosos e levem menos tempo a surgirem. Por outro lado, o seu potencial para o mal torna-se mais forte do que muitas outras, como questionamento, visualização guiada, etc. 

Se grande parte das técnicas têm contra-indicações, a meu ver todas elas têm uma grande contra-indicação: o terapeuta. 

Uma pessoa que não se conheça, que não saiba os seus pontos fortes e limitações, que não saiba lidar com as suas emoções, que não esteja preparado para compartimentalizar a sua vida pessoal da profissional, que não esteja focado em ajudar a pessoa que o procura, corre grandes riscos de fazer pior do que melhor. E vamos assumir que esta pessoa simplesmente não está bem preparada ou vocacionada. Existem muitos que o fazem propositadamente!

Manipular não é ajudar, só prejudica. Se o terapeuta não tem em conta os seus melhores interesses, então não deve ser terapeuta para si. 

A Força é um continuo entre o Lado Bom e o Lado Negro. Muitas pessoas escolhem estar apenas no Lado Negro, pelo poder que isso lhe traz. 

Fama, dinheiro, reconhecimento público, poder quase divino... Estes são os caminhos mais rápidos e tentadores para o Lado Negro da Terapia.


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