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Geração "Fast Food", Geração Y, Geração Redes Sociais, Geração Agora Mesmo!, Geração "Swipe"... Seja como for o nome que queiramos dar, a geração atual é muito diferente daquelas que vieram antes. Não sendo necessariamente mau, esta geração enfrenta grandes riscos e tramas, pelos quais as gerações anteriores não passaram. Coloca-se então a pergunta: Será que as Gerações mais antigas estão devidamente preparadas para ajudar esta nova Geração?

Fazendo uma retrospectiva, é bastante comum nomearmos as gerações tendo em conta a altura social e o seu comportamento. Já existem um número considerável, tantas que nem ouso tentar enumerá-las. Assim como eu pertenço a uma, tenho a certeza que também pertence a alguma. Mas não somos sobre as gerações prévias que me quero concentrar, mas sim na geração atual. 

Para que possamos tentar compreender a geração atual, temos de perceber o seu contexto, nem que isso nos faça recuar a uns anos atrás.

Uma parte essencial desta geração surgiu nos anos 90, pelo menos em Portugal. No meio de todas as mudanças que o país estava a passar, foram os anos 90 que trouxeram o avanço da tecnologia, nomeadamente no sector informático. Surgiram os primeiros PCs (Personal Computer) a partir dos antigos modelos 286, 386 e 486, da IBM. Não bastou muitos anos para que a tecnologia Pentium surgi-se, o que gerou a maior velocidade de processamento da informática. Os primeiros processadores de textos poderiam ser instalados através de disquetes, assim como todos os outros programas e jogos disponíveis. Entre 1990 e 1996, a Microsoft lançaria as versões 3 do Windows, revolucionando os programas operativos. Anos mais tarde, com o Windows 95 e posteriores, o Windows passaria a substituir o MS-DOS como o principal sistema operativo dos computares. Mas os anos 90 trouxeram mais uma inovação: a Internet!

Conhecida como a "World Wide Web", o objectivo da Internet seria ligar todo o mundo, através da transmissão e do tráfego de informação, a nível mundial. As primeiras ligações à Net decorriam via linha telefónica, através de impulsos telefónicos (o grande senão era que não se podia receber ou fazer chamadas, enquanto se estivesse ligado). Mais tarde, viriam os Modens, aparelhos externos que permitiam a ligação e que não obstruíam a rede telefónica. Funcionavam via Cabo ADSL, que ainda existe actualmente. Os cabos foram sendo substituídos por fibra óptica, ligações Wireless e sistema de Internet Móvel. 

Foi durante os anos 90 e seguintes que foram criados os primeiros espaços onde as pessoas se poderiam encontrar, no mundo virtual, partilhando experiências e alguns arquivos. Conhecidas como salas de "chat", o principal espaço em Portugal era conhecido como IRC e o mIRC. Era neste espaço que existiam várias salas, como #Lx, #Portugal e quaisquer universidades que também tivessem uma sala. Para além de conversas privadas, havia temas de discussão regulados por pessoas conhecidas como Ops (@), os operadores das salas. De um determinado ponto de vista, podemos ver o mIRC como os primórdios das Redes Sociais que conhecemos e utilizamos, hoje em dia. 

A próxima evolução trouxe a capacidade de estarmos em contacto móvel. Primeiro com os Pagers, pequenos aparelhos que permitiam receber mensagens e toques, os telefones celulares (primórdios dos telemóveis, surgindo em 1980, em Portugal) e finalmente, surgindo em 1992, o telemóvel e a TMN. À medida que os anos iam avançando, os telemóveis tornaram-se mais sofisticados, tanto em nível de programas, como pelo equipamento sólido. Para contexto histórico, o Iphone surge em 2007. 

O mundo voltaria a ser abalado em 2004, quando dois estudantes criam o colosso que todos conhecemos como Facebook. Desenvolvido após outras redes, como o Hi5, o Facebook iria permitir que todos tivessem um perfil, mostrando o estilo de vida e interesses, algo que antes não poderia ser acessível, no mundo virtual. Esta avalanche foi a abertura para outras, como o Linkedin, Google Hangouts, Instagram, Snapchat, WhatsApp e muitas mais. É bem provável que mais uma esteja a ser criada, no momento em que escrevo este texto. 

Claro que poderá estar a perguntar-se o porquê de estar com toda esta nostalgia. A resposta é simples, temos de perceber a evolução para chegar ao momento actual. 

Enquanto muitas das gerações tiveram de se adaptar a todas estas mudanças, a geração actual já nasce com toda esta realidade. Se acha um exagero, desafio que preste atenção, quando estiver na rua. Para além da maioria das pessoas estar com o foco no seu "smartphone", bebés já conseguem reproduzir perfeitamente o movimento de deslizar o ecrã tátil de telemóveis e tablets. Após o primeiro ano de idade, é bem possível que um bebé consiga tirar uma "selfie", por si só. 

A maioria das crianças, ao entrar na adolescência, já se encontra equipada com um "smartphone" com internet móvel, minutos e sms ilimitadas, com todas as aplicações de comunicação, como o Facebook Messenger e WhatsApp. Não só estamos no imediato. como o mundo se encontra à distância de um clique.

Para além deste desejo do imediato, a maior parte dos jovens encontra-se no seio de uma família, cujos membros acabam por fazer muitas horas pelo seu ordenado e isto aqueles que se encontram empregados. Esta rotina faz com as crianças e jovens tenham um elevado número de actividades extra-curriculares e sem grande tempo para estar em pleno, com toda a família. No pouco tempo que se está, esse é passado junto das Redes Sociais, "smartphones" e programas de televisão cujo conteúdo educativo é, no mínimo, duvidoso. 

Com este panorama, não é de espantar que o número de problemas na infância e adolescência tenha aumentado significativamente e as práticas parentais estejam desadequadas, isto quando são existentes. Se por um lado vemos famílias cada vez mais desesperadas, também vemos uma resistência em procurar ajuda especializada adequada.

Este ponto traz-me ao último tema e o mais mediático. Portugal importou e adaptou SuperNanny, um programa de origem britânica que tem como objectivo uma figura supostamente educativa, a Nanny, ensinar estratégias e resolver conflitos de famílias necessitadas. Essas famílias recorrem ao programa, autorizando os direitos da imagem à produtora, o que inclui os menores. Qual o problema disto? Simples: a partir do momento em que as autorizações são dadas, a produção do programa tem a liberdade para expor as imagens como entender e assim que o programa vai para o ar, torna-se público e sempre acessível noutras plataformas, como o Youtube e mundo digital.

Nesse sentido, é aconselhável que todas as famílias ponderem neste facto, para além do seu desespero ou desejo para a "plataforma da fama". 

Não me compete a mim julgar o papel da Nanny portuguesa, remetendo esse papel para o Conselho Jurisdicional da Ordem dos Psicólogos Portugueses, considerando que a pessoa em si é Psicóloga. O que me parece é que as mudanças não são tão imediatas como o programa faz transparecer, as famílias devem ser acompanhadas por técnicos especializados fora dos olhares do Mundo, os pais devem considerar possíveis repercussões negativas para eles e especialmente para os menores e finalmente deixo o apelo para que a pessoa que veja o programa não considere que as estratégias utilizadas devem ser uma receita geral para todas as famílias. Cada família é única, com a sua própria dinâmica. Logo, para cada dinâmica, devem ser aplicadas estratégias apropriadas. 

Qual é a resposta? Mais fácil dizer do que fazer. Os pais devem educar e apoiar os jovens para o Mundo actual, estabelecendo regras de conduta apropriadas, com recompensas e castigos apropriados. É quase impossível que os jovens não consigam ter acesso ao que desejam. Por isso, em vez dos pais tentarem ser castradores, devem adoptar a postura de apoio, orientação e contenção, sempre que a criança necessite. O importante é estar presente na vida da criança e assim poder guiar e orientá-la para um futuro saudável. 

 


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