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Numa sessão com um cliente novo, a dada altura, sou questionado sobre o que faço. Resumi a minha experiência profissional e a minha formação académica principal, sem contar com as dezenas de cursos e workshops que tenho feito (não contanto com Mestrado e Pós-Graduções, já contabilizo 25 formações extra). Para além de dinheiro, alcançar este número demorou bastantes anos. O que me leva a perguntar: o que são as pessoas que tiram estes cursos híbridos, com um pouco de tudo? Coaches, "Hipnoterapeutas", Practitioners em PNL?

Não será a primeira vez que utilizo a palavra integração como um caminho para o futuro das intervenções, no contexto da saúde mental. A lógica é podermos alargar-nos, para além do nosso quadro de referência, buscando estratégias que compensem as falhas do quadro e que sejam especificas para a problemática que o cliente nos traz. Este é um movimento que começou nos Estados Unidos, tem sido espalhado pela Europa e restantes Continentes. Em Portugal, temos algumas dessas referências associadas a universidades, associações e sociedades de Psicoterapia e, finalmente, à SEPI (Society for the Exploration of Psychotherapy Integration).

Entre os especialistas, a discussão é lançada sobre a criação de um modelo integrativo de génese ou a contínua formação em diferentes modelos e técnicas. Do meu ponto de vista, é me útil pensar que uma pessoa deva ter formação num modelo especifico, dominando-o de modo a que depois possa fazer formações complementares, noutros modelos ou técnicas. A lógica é que a pessoa tenha a segurança de saber um modelo concreto e será essa segurança que depois pode fazer com que o terapeuta explore novas possibilidades de abordagens. 

Do ponto de vista histórico, a integração faz sentido por dois motivos. O primeiro motivo é do desenvolvimento de modelos terapêuticos. Grande parte dos modelos, sem dúvida os principais (Psicanálise, Comportamentalismo, Existencial e Cognitivo) surgiram em resposta às limitações de cada um. Embora a Psicanálise tenha sido o primeiro grande modelo de Psicoterapia, as restantes abordagens surgiram como uma resposta às inconsistências práticas das diferentes perspectivas psicanalíticas. E não ficamos com estes modelos, na verdade já ultrapassámos as chamadas Terapias de 3ª Geração. O segundo motivo está intrinsecamente ligado ao primeiro, em que os modelos tentam complementar-se mutuamente. Por exemplo, a conhecida Psicoterapia Cognitivo-Comportamental surgiu como uma junção entre as metodologias cognitivas e a intervenção mais comportamental.

Ao mesmo tempo, a investigação reconhece aquilo que são chamados de factores comuns, variáveis que estão presentes em todos os processos terapêuticos, independente do modelo aplicado. Nesse sentido, a eficácia das intervenções está mais preocupada no impacto desses factores comuns, sabendo que todas as Psicoterapias são eficazes a dada altura, em dado contexto, para todas as pessoas. 

Claro que para isto é necessário muito de tempo de estudo teórico e prático! A maioria das formações em Psicoterapia decorre ao longo de 4 a 5 anos, podendo ir mais além se a prática de supervisão for obrigatória. E isto só pode ser alcançado após um curso superior em saúde mental (Psicologia ou Medicina com especialização em Psiquiatria). 

Mas e se não quiser ser Psicólogo? Vamos então ver outras alternativas. Segundo o sistema da PNL, uma pessoa só deve oferecer serviços na área com o grau de Master Practitioner, ou seja, o segundo nível. Se a pessoa quiser dar formação em PNL, então tem de chegar ao Trainer e, finalmente, ainda existe o nível de Master Trainer. Em média, uma pessoa pode demorar cerca de 2 anos até ter o número de horas suficientes para chegar ao Master Practitioner. 

Se quiser ser Coach, existem muitos modelos que pode adoptar. Pela World Coaching, ser Life Coach implica 60 horas de formação, 12 sessões de Coaching, avaliação em 8 horas de estudo e o mínimo de 80% de aproveitamento nas avaliações. 

Se quiser fazer Formação em Hipnose, existe muitas ofertas de 12 meses/mínimo, podendo ser estratificadas em níveis de dificuldade básicos e superiores. 

Resumindo: é preciso algum tempo e dinheiro para ter formação! Mas depois disso, você já pode dizer que faz alguma destas coisas, com alguma credibilidade!

O que a mim me tem vindo a impressionar são algumas ofertas, de poucas horas ou mesmo fins-de-semana, com um enorme conjunto de designações. Essas ditas formações oferecem o ensino de Coaching, PNL, Hipnose e quem sabe o que mais, em tempo record! Consigo perceber a ideia de pegar-se no essencial e retirar o que se pode achar secundário...Mas isto acaba por ser algo ridículo. 

Mais do que isso, o que é que uma pessoa destas de intitula? Trainer? Não sei se terá horas para isso. PNL? O tempo de formação nem chega para um Practitioner, quanto mais para um Master Practitioner. "Hipnoterapeuta"? Em tese, isso não existe, é apenas um termo tornado popular. Imagino que uma pessoa nessas condições possa sofrer de uma enorme crise de identidade ou Perturbação Dissociativa da Identidade!

Em género de conclusão, a ideia central que quero deixar é esta: Quando uma pessoa investe dinheiro, bastante tempo, num determinado sistema de intervenção, então fica acreditado para ser chamado em concordância com aquilo em que se formou. Podendo isso ser Psicólogo, Psiquiatra, Psicoterapeuta, Formação em Hipnose, Coaching ou outras sistemas como PNL. 

Isto é importante porque quando você procura quem o possa ajudar, é essencial para si poder perceber e escolher alguém que tenha uma formação credível. Isso poderá ser meio caminho andado para uma boa intervenção!

 


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