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O programa "Divertidamente" parece ter vindo para ficar, assim com o uso de Hipnose de Entretenimento. O meu objectivo hoje é reforçar aquela que, para mim, é a parte mais importante do programa: os 10 primeiros minutos!

O mais recente programa sobre Hipnose, "Divertidamente", não tem deixado as pessoas indiferentes. Muitos espectadores já lançaram grandes gargalhadas, outros espectadores até mais famosos têm acusado o programa de ser falso e que os concorrentes estão a representar e, não menos importante, a forma como Hipnose tem sido apresentada neste formato tem feito com que os profissionais da área da Hipnose, que a usam para fins terapêuticos, apresentem a sua inquietação sobre a imagem que este programa está a lançar, sobre Hipnose.

A SIC tem feito o seu papel, por intermédio do apresentador João Manzarra, defendendo a imagem do programa e da sua veracidade. Sobre o ser verdade, eu não tenho qualquer dúvida. Mas eu tenho quase 9 anos de experiência com Hipnose e fui muito bem ensinado! Eu sei reconhecer que sim, mas muitas pessoas não têm essa facilidade. Mas não é sobre isso que me quero debruçar, já o fiz quando esclareci como funciona o programa e Hipnose de Palco, num meu texto anterior.

Antes do início de cada programa (também só foram dois!), João Manzarra tenta usar os minutos iniciais para que o Hipnotizador espanhol esclareça outros usos de Hipnose, nomeadamente a sua utilização terapêutica. Isto é uma boa abordagem por parte da SIC, tentando credibilizar a técnica. A meu ver, esta posição falha na concretização do seu objectivo, por um simples motivo: após 3 a 5 minutos de passar Hipnose como terapêutica, leva-se com hora e meia de Hipnose como entretenimento! Apesar da bom intenção, aquilo que fica na mente das pessoas é Hipnose usada para rir e para o ridículo!

Historicamente, Hipnose surgiu pela mão de médicos, psiquiatras e psicólogos, no contexto de cura. Começou com Mesmer e o seu Mesmerismo, James Esdaile no seu trabalho cirúrgico na índia, James Braid, considerado um dos pais da Hipnose, Jean-Martin Charcot com a sua perspectiva neurológica e psiquiátrica, Sigmund Freud que fora influenciado por Charcot e Bernheim, Hippolyte Bernheim com a perspectiva da Hipnose como sugestão. Mais nomes poderiam ser colocados mas referido apenas mais três: Ernest Hilgard e André Weitzenhoffer, os criadores das Escalas de Sugestionabilidade Hipnótica de Stanford, revolucionando a investigação cientifica de Hipnose. E, claro, Milton H. Erickson, o pai da Hipnose Moderna. 

Até Dave Elman, um dos melhores praticantes de Hipnose Clássica, apesar do inicio da sua carreira ser ligado ao entretenimento, deixou a sua marca na formação de médicos sobre o uso de Hipnose na sua prática profissional. 

Hipnose teve um percurso difícil e a validade foi muito colocada em causa pela Medicina Tradicional. Isso fez com que fosse levada para a escuridão e as suas práticas foram preservadas por artistas de palco, na vertente de entretenimento. Apesar de influente, não posso deixar de referir que Freud também foi o responsável por desacreditar o uso de Hipnose, em contexto terapêutico. 

Apesar das resistências, inúmeros anos de investigação vieram a demonstrar a eficácia do uso de Hipnose no campo médico e terapêutico. Os benefícios são muitos:

- Hipnose torna as intervenções mais breves;

-Hipnose aumenta a eficácia de sucesso das terapias;

- No estado hipnótico, a pessoa aprende com mais facilidade e essas aprendizagens ficam gravadas, durante mais tempo;

- Hipnose permite associar aprendizagens automáticas a aprendizagens mais conscientes, de forma mais acessível, mais rápida e mais duradoura;

- Hipnose pode ser associada a todos os paradigmas de Psicoterapia, incluindo Psicanálise, Terapias Existenciais, Terapia Comportamental, Terapia Cognitiva, Terapia Cognitivo-Comportamental;

- Hipnose é utilizada no contexto médico, psicológico, pedagógico e desportivo.

Claro que Hipnose não exclui, em casos particulares, o uso de medicação e métodos mais tradicionais. Hipnose é uma técnica e não uma terapia em si. Daí que cada caso deva ser analisado pelo profissional e Hipnose deve ser usada como complemento ou não utilizado, se não houver condições para tal. 

O que se sabe é, quando usada, Hipnose aumenta o efeito de todas as intervenções utilizadas. Hipnose também é algo que pode ser usado pela sua natureza de poucas contra-indicações. No meu entender, frisando que é a minha opinião pessoal, a principal contra-indicação está no próprio terapeuta. O terapeuta tem de ter formação suficiente para perceber até onde pode ir, na sua intervenção, seja com ou sem Hipnose! São estes erros que podem comprometer um processo terapêutico. 

Finalizado este texto, deixando o meu apelo para que as pessoas não tenham medo de Hipnose, para usos terapêuticos. Ponham em consideração a sua utilização, procurando profissionais credíveis, a nível da sua formação. Se estiverem com um bom profissional, irão certamente beneficiar com o uso de Hipnose. 

Em relação aos profissionais de saúde, invistam o seu tempo a conhecer Hipnose e a sua utilização. Quantos mais profissionais tiverem formação credível e usarem, de modo credível, Hipnose na sua prática, melhor será a imagem que é deixada sobre Hipnose e terapia!

 

 


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