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Quando pensamos em Psicoterapia e Hipnose, pensamos em questões de segurança? Pode acontecer algo? Não é apenas e somente só o acto de comunicação? Hoje iremos mais além na descrição do que acontece em Psicoterapia e Hipnose, falando de questões de segurança.

Vários são as áreas da vida onde o risco de algo que afecte a nossa segurança é válido. Ao andarmos em vias públicas, por exemplo, existe sempre a possibilidade de furto, com o risco da nossa própria integridade física ser colocada em causa. No âmbito profissional, existem várias profissões onde normas de segurança são aplicadas, especificamente, sob o risco de multas ou processos. Um desses exemplos poderá ser o ramo da construção civil. Até mesmo na área desportiva, existe um determinado risco para a integridade física, diminuindo ou aumentado considerando o estilo de desporto que se pratica e o nível a que se pratica. 

O ramo da saúde não é excepção. Cada vez que uma pessoa é submetida a uma intervenção cirúrgica, todos os riscos são calculados, para garantir que a operação seja bem sucedida e que a integridade física da pessoa não seja comprometida. Na saúde mental, também existe essa mesmo preocupação. Até mesmo física!

É importante perceber e reconhecer que o terapeuta é inteiramente responsável pela integridade e segurança do seu cliente/paciente. No que respeita a dados biográficos, historial clínico e familiar, episódios relatados, planos de intervenção ou testes de avaliação psicológica, o Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses consagra artigos que garantem a confidencialidade e privacidade desses dados. Também a intervenção com crianças e menores, assim como indivíduos ou idosos com lesões neurológicas ou doenças que alterem a sua consciência, deve ser sujeita a um consentimento informado, de preferência escrito e assinado, pelo técnico e adulto responsável pelo cliente/paciente. 

O que nem sempre é tão referido são aspectos de segurança física, tais como:

Integridade estrutural do local de sessões - o que pode parecer básico e intuitivo, nem sempre o é. Muitos escritórios ou edifícios de clinicas poderão já ser antigos e, mesmo que não sejam, com o passar do tempo, utilização, condições atmosféricas e demais, são necessárias obras de reparação. O terapeuta deve garantir que a sala onde realiza intervenções tem uma manutenção regular e as obras necessárias para a segurança e comodidade das pessoas.

Qualidade do material - Outro aspecto importante é a qualidade do material que é utilizado em sessão. A titulo de exemplo temos cadeiras, cadeirões ou até divãs. Imagine que um desses materiais não se encontra bem suportado. Um cliente pode sentar-se ou deitar-se num deles e proceder a uma queda, em que desloca um membro ou faz outro tipo de lesão. O terapeuta é directamente responsável pelo material que utiliza, assim como o pagamento de qualquer intervenção médica que uma pessoa possa necessitar, em caso de acidente durante a sessão.

Tocar no cliente/paciente - A maior parte do trabalho de um Psicólogo, Psicoterapeuta, Psiquiatra ou Coach é apenas realizado por via de comunicação. No entanto, existem técnicas em que o técnico toca e dirige partes corporais do cliente/paciente. Na utilização de Hipnose, por exemplo, algumas técnicas implicam o toque e movimentação vigorosa do cliente/paciente. Se o terapeuta não tiver ciente da condição física e/ou historial de doenças físicas e crónicas, poderá correr o risco de lesionar e aumentar dor nos membros superiores (pulso, braço, cotovelo, ombro), pescoço e zona lombar. 

Garantir a saída segura da sessão - O profissional de saúde mental deve garantir que o cliente/paciente se encontra em condições adequadas para sair da sessão. Essas condições comportam tanto aspectos psicológicos, como físicos. Técnicas como procedimentos de relaxamento, treino autogénico, meditação e Hipnose podem fazer com que a temperatura corporal diminua, o ritmo cardíaco se torne mais lento e que a tensão arterial baixe. É da responsabilidade do terapeuta certificar-se que a pessoa está em pleno funcionamento mental e físico suficientemente seguro para que o risco mínimo à integridade da pessoa possa existir.

Auto-lesões, ataques físicos e tentativas de suicídio - Em momentos, podem surgir clientes/pacientes com comportamentos auto-lesivos, fisicamente confrontativos ou pessoas que estejam num risco elevado de cometer suicídio. Em sessão, o terapeuta deve garantir que o cliente/paciente esteja seguro e que não inflija danos a si próprio ou a terceiros. O terapeuta pode, inclusive, contactar o INEM ou autoridades competentes para garantir essas mesmas condições. 

Em jeito de conclusão, termino tal como comecei. É essencial que o terapeuta tenha noção que é directamente responsável pelo bem-estar físico, psicológica e a integridade do cliente/paciente, enquanto este estiver na sua sessão. 

Ignorar este ponto é correr o risco de má prática e negligência pela integridade do Outro! 


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