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Diz o povo que as crianças de hoje serão os adultos de amanhã. Se pensarmos nisto, torna-se importante que olhemos para a promoção e prevenção da saúde das nossas crianças, passando pelo lado físico mas também psicológico. Hipnose terá alguma palavra a dizer sobre isto? E se sim, que palavra será?

Nos dias que correm, as secções de livros sobre educação, Psicologia, Enfermagem ou Medicina, têm uma ampla escolha de manuais sobre o desenvolvimento infantil. Temáticas como a Parentalidade Positiva, o Coaching para a Família, o desenvolvimento do bebé, programas de competências para melhor os estudos, trabalhar motivação e emoções, orientação vocacional, como lidar com "crianças difíceis", os fenómenos do Bullying CyberBullying... Enfim, a lista é imensa! 

Todavia, nem sempre foi assim. De facto, no que respeita à Psicologia, muitos modelos de intervenção foram adaptados do que se fazia com adultos, para que poderemos trabalhar com crianças e jovens. À medida que a Psicologia se foi afirmando como uma área cientifica, houve uma proatividade de realizar-se investigações e programas especificamente conceptualizados para a intervenção com crianças e adolescentes. 

O campo de investigação foi-se tornando tão abrangente que áreas, como a Psicologia do Desenvolvimento, foram ganhando o seu espaço. Nomes como Ana Freud, Melanie Klein, Donald Winnicott, René Spitz, John Bowlby, Jean Piaget, Erik Erikson e Lev Vygotsky, só para referir alguns, começaram a especializar-se no trabalho com crianças, criando conceitos que se tornaram fundamentais para a avaliação e intervenção, junto de crianças e adolescentes.

Atualmente, o campo da saúde olha atentamente para um aumento crescente das preocupações com crianças e adolescentes. Cada vez mais cedo, são expostas a um mundo com uma velocidade mais acelerada, à qual nem sempre conseguem acompanhar da melhor forma. Isso causa desequilíbrios que, por sua vez, pode originar comportamentos pouco adaptativos. A velocidade do mundo virtual, as redes sociais, a falta de estabilidade económica, a necessidade de dar resposta imediata na dinâmica "quero, quero isto e quero já!" e afins, proporciona que as crianças, logo desde muito cedo, comecem a exibir sinais de preocupação, sinais estes que podem criar hipóteses de um funcionamento desadequado, ao longo do seu desenvolvimento. 

E como não vivemos isolados, é importante referir o papel da família e grupos sociais. Se for um(a) adulto(a), desafio a fazer um exercício.

Sente-se num lugar confortável e coloque-se numa posição mais tranquila possível. E eu não sei se prefere estar com os seus olhos abertos ou fechados. Simplesmente esteja como se sinta melhor. E talvez agora, ao estar o mais confortável possível, possa-se permitir a fazer uma pequena viagem. Viagem esta que nem sequer precisa de sair do seu lugar. A sua mente pode viagem, para além do espaço e do tempo, para uma altura em que você foi criança. E porque todos nós adultos já fomos crianças. E talvez possa trazer à sua mente imagens de como você estava no seio da sua família. Tentar perceber o seu lugar e satisfazer todas as exigências que lhe eram exigidas. E tentar continuar a ser uma criança. E você ia crescendo e crescendo. E sem se dar conta, o seu mundo começou a expandir-se. Não eram só as exigências da família que você tinha de dar resposta. Você, agora, tinha de se afirmar junto dos seus amigos e colegas. E que tarefa tão difícil ela poderia ser, de tempos a tempos.

O aumento da dificuldade de resposta de professores, educadores, famílias e quaisquer que sejam aqueles que têm um papel importante na vida de crianças faz com que a procura por ajuda de técnicos especializados tenha aumentado. Nesse sentido, será que Hipnose poderá ser mais uma ajuda? 

Embora Hipnose com adultos seja o que é mais visível para o público geral, o campo da Psicologia e Pediatria tem investigado as aplicações de Hipnose com crianças, desde cerca dos anos 50. Tal como nos adultos, Hipnose não possui qualquer contra-indicação com crianças. Trabalhar hipnoticamente com uma criança traz determinados benefícios, como por exemplo:

Aumenta a qualidade da relação;

Pode melhorar a interacção entre técnico e criança;

Aumenta a eficácia da comunicação e das intervenções;

Pode ser usada para melhorar metodologias de estudo, auto-regulação emocional, controlo de dor, medos, receios e diminuição de ansiedade.

Tal como em qualquer intervenção, o técnico tem de ter conhecimentos específicos sobre os estádios de desenvolvimento, já que o trabalho hipnótico terá de ser adaptado a cada fase da criança ou jovem. Também é importante que o técnico tenha consciência que poderá ter de brincar, realizar jogos, desenhos ou outras actividades que entendam que sejam necessárias para o estabelecimento da relação terapêutica. Pois, sem a colaboração da criança, não existe Hipnose!

Finalizando, deixo uma especial atenção para as questões de segurança. Tal como com a intervenção com adultos, o técnico é directamente responsável pela segurança e integridade da criança e jovem, durante o período que está com ele. Criar um ambiente securizante e fazer uma boa recolha da história de vida da criança ou jovem é muito importante. Também a salvaguarda das intervenções deve ser mantida, devendo haver um consentimento informado, por parte dos adultos responsáveis, para a intervenção. Este consentimento serve para proteger a criança, a família mas também o próprio técnico. 

Aconselho que o façam e que seja um consentimento informado redigido e assinado, por ambas as partes. No que respeita a profissionais de saúde, a Lei já exige que assim o seja feito. 

Hipnose não tem como objectivo substituir modelos de intervenção, mas sim ser mais um auxilio! 

 


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