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Nesta reflexão, apresento algumas sugestões de pontos importantes a ter em conta, quando estrutura as suas intervenções. Aqui poderá encontrar sugestões para intervenções com e sem Hipnose. Importa referir que sugiro pontos para intervenções individuais. Intervenções Sistémicas e de Casal ficarão para uma nova oportunidade.

Para todos aqueles que têm como objectivo serem Psicoterapeutas, rapidamente descobrem que a acreditação em Psicoterapia passa por um treino formal num modelo psicoterapêutico. Assim, um profissional passa a ser acreditado como Terapeuta Cognitivo-Comportamental, Psicanalista, Terapeuta Psicoanalítico, Terapeuta Existencial-Humanista, Terapeuta Centrado no Cliente, Terapeuta Construtivista... Acho que já fica a perceber a ideia!

Embora a integração em Psicoterapia seja um movimento muito forte atualmente e, para muitos, o futuro da Psicoterapia, são poucos os modelos de formação que são interactivos, pela sua natureza. Dois exemplos são Terapia dos Esquemas e Terapia Focada nas Emoções. Assim sendo, o caminho que um Psicoterapeuta pode fazer é a formação em modelos e técnicas diferentes, para depois utilizar em integração na sua prática clínica

Um dos factores a considerar, no processo de tomada de decisão clinica, é a pessoa que se encontra de ante nós. Cada um possui características biopsicossociais que fazem com que seja único. Assim, a postura de uma pessoa perante uma situação comum, por exemplo Ansiedade, será diferente de uma outra pessoa.

Desta forma, o Psicoterapeuta poderá equacionar a construção de uma intervenção à medida do cliente, considerando:

1) A sua formação terapêutica - Este primeiro ponto parece ser óbvio mas acredite, nem sempre o é! Se a pessoa não possuir formação terapêutica credenciada, significa que não tem requisitos mínimos para lidar com uma situação, correndo o risco de prejudicar ainda mais a situação que o cliente traz;

2) Ser generalista ou especialista - Pela sua formação, um Psicoterapeuta encontra-se preparado para lidar com muitas situações. No entanto, podem existir determinadas formações que incidem mais num determinado tema ou mesmo, o próprio Psicoterapeuta decida especializar-se numa determinada temática. À partida, o especialista terá outra experiência e recursos para lidar com a situação, do que o generalista. Se sentir que as suas capacidades são reduzidas, considere o desencaminhamento para um especialista;

3) A sua população-alvo - Existem pessoas que têm conhecimentos, experiência e conforto suficientes para lidarem com vários tipos de populações e fases etárias. Por outro lado, existem aqueles que se dedicam exclusivamente à intervenção com crianças, outros com adultos e ainda outros com idosos. Perceba qual a sua população-alvo e invista nela!

4) Dominio das técnicas - Por mais aliciante ou comercial que uma determinada técnica seja, o Psicoterapeuta deverá considerar aplicá-la apenas quando sentir que domina eficazmente cada processo técnico. Esta poderá ser um factor determinante para ser bem sucedido ou falhar por completo;

5) Saiba receber a pessoa - Quando a pessoa chega a si, pela primeira vez, não o/a conhece pessoalmente. Pode ter visto o seu marketing ou ter tido boas referências de clientes prévios. Seja como for, seja amável, cordial e faça sentir com que a pessoa seja bem recebida por si;

6) Faça uma boa entrevista - Por mais aliciante que seja passar para a intervenção, ela não valerá de nada se você não perceber quem tem à frente e qual a situação em que se encontra. Uma boa anamnese (história clínica) irá tornar mais rica a sua hipótese de intervenção;

7) A relação terapêutica é a base - Você pode dominar todas as técnicas que quiser! Você pode ser o melhor Hipnotista do mundo! Mas isso é pouco válido se a não tiver uma boa relação estabelecida com a pessoa. Estudos determinam que a relação terapêutica ainda é mais importante do que a técnica, para o sucesso das intervenções. Faça com que a pessoa se sinta segura e ele irá trabalhar muito melhor as técnicas consigo;

8) Valide, empatize e faça "rapport" - Validação, Empatia e "Rapport" são estratégias fundamentais para estabelecer uma boa relação terapêutica. Algumas são mais fáceis, outras requerem mais prática. Treine o quanto achar que necessita para que estas estratégias fluam o mais naturalmente possível;

9) Comece por uma hipótese - A cada caso que surja, a sua conceptualização vai ajudar o Psicoterapeuta a organizar-se e colocar uma hipótese do que possa estar a acontecer. Esta hipótese pode não ser um diagnóstico estilo DSM-V mas vai orientar a sua intervenção e os seus próximos passos. Mais, a flexibilidade das conceptualizações permitem que o Psicoterapeuta modifique a sua hipótese, mediante o que surja. No caso de entrevistas não serem suficientes, utilize questionários ou testes psicológicos, como auxilio;

10) Decida que caminho irá seguir - Enquanto que os pontos anteriores podem ser mais ou menos gerais para todos os modelos, a verdadeira integração começa com os modelos que utiliza para analisar a situação e as estratégias mais adequadas à pessoa. E friso este último ponto: mais adequadas à pessoa! Não aplique técnicas só porque pode, aplique se fizer sentido para a situação e sabendo que o cliente poderá responder bem a elas. Aqui pode sair um pouco da sua zona de conforto formal, se dominar alguma técnica que não se incorpore no seu modelo de intervenção formal, mas que seja eficaz para a pessoa;

11) Não tenha medo do "feedback" - É certo que algumas questões do cliente podem ser bastante visíveis fisicamente. Por exemplo, você pode avaliar a mudança de comportamentos de ansiedade físicos, através da observação. No entanto, a maior parte das técnicas requerem que a pessoa diga como se sentiu e se resultaram. A falta de pedidos de "feedback" pode ficar a dever-se por questões de receio que o Psicoterapeuta esteja a falhar ou porque, simplesmente, ele está tão seguro que resultam que assume, naturalmente, a sua eficácia. Quanto a si não sei, mas eu não tenho uma bola de cristal que me faça adivinhar o que se passa na cabeça do meu cliente! Não tenha medo de perguntar o que é que o cliente precisa;

Resta-me deixar uma parte destinada à aplicação de Hipnose. Quando partir ou não partir para Hipnose. Se o Psicoterapeuta publicitar serviços específicos de Hipnose, irá encontrar pessoas que o contactam exclusivamente com esse objectivo. Embora seja essa a sua vontade, cabe sempre a si, o profissional, avaliar se a pessoa se encontra em condições para a intervenção, se faz sentido, se pode já ser aplicada ou se precisa de algo mais

Pelo contrário, se for um ponto referido na primeira entrevista, avalie se é uma possibilidade. Se a pessoa está recatante a ser hipnotizada, se tem de haver alguma preparação, se é útil usar mais à frente, no processo. 

Finalmente, tenha a capacidade para ser flexível nas suas sugestões. Na perspetiva Ericksoniana, o Psicoterapeuta deverá adequar-se ao estilo da pessoa, alternando entre abordagens mais directas e abordagens mais indirectas. Se a pessoa demonstrar resistente, seja permissivo. Se quiser uma mudança no momento, use sugestões mais directas. Se o seu objectivo é que as mudanças sejam mais eficazes, ao longo do tempo, métodos mais indirectos poderão ser mais úteis, criativos e interessantes


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