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Você chega a um espaço de um "hipnotizador", na esperança que Hipnose possa resolver o seu problema. Após 20, 30 ou 40 minutos de conversa, é pedido à pessoa que passe para uma cadeira diferente. Ao ouvir as palavras e os vários sons, você fecha os olhos e começa a fazer respirações mais profundas. Depois de 15 ou 20 minutos, você começa a sentir uma alteração no seu nível de consciência. A pergunta que se coloca é: Isto é sempre assim? Hipnose precisa de rituais?

Desde o periodo de Mesmer e passando por Braid, muitas têm sido as definições de Hipnose e a descrição das suas práticas. Cada autor que tem praticado e investigado os fenómenos de Hipnose tem descrito as suas conclusões e a sua metodologia, à qual tem sido utilizada e seguida por muitos. 

Por exemplo, aqueles que vêem Hipnose como paralela ao relaxamento, caracterizam o fenómeno hipnótico como relaxamento e usam técnicas que reforçam esta metodologia, como induções compostas pelo Relaxamento Muscular Progressivo. Por outro lado, aqueles que são adeptos e definem que Hipnose é uma forma de dissociação, a linguagem hipnótica estará carregada de sugestões promotoras de dissociação. Ao focar-se nas sensações desse braço, pode perguntar-se se ele está pesado ou leve... quente ou frio... se são esses dedos que se mexem involuntariamente... ou talvez as sensações dessa palma possam permitir que essa mão possa... começar a subir mais e mais...

Acho que começa a perceber a ideia! Mediante o que você acredita o que é Hipnose e da forma como foi ensinado, irá agir em conformidade e ter um determinado estilo hipnótico. Não obstante, a ritualização de Hipnose é algo que foi muito enraizado pelo estilo tradicional e também pela forma como o cinema e literatura retratam Hipnose. Por exemplo, é suposto que o "Hipnotista" tenha um pêndulo ou relógio, que agite as suas mãos pela sua cara, que olhe para si profundamente e grita sugestões como "Olhe profundamente nos meus olhos! Você vai começar a sentir-se mais sonolento! Os seus olhos vão fechar!". Ou até mesmo o artista que puxa um braço ou a cabeça, grita "Durma!" e a pessoa entra em Hipnose. 

Se tudo isto é necessário para que a pessoa entre em Hipnose? Não, não é! Se pode auxiliar, já que é a expectativa da pessoa? Em alguns casos, sim!

O modelo tradicional de Hipnose vive de uma certa ritualização, a tal ponto que investigadores sócio-cognitivos determinam que é o conjunto destes rituais, expectativas, percepção de competência e autoridade que caracterizam aquilo a que chamamos Hipnose. Se pensarmos neste modelo, existe uma quebra entre o momento terapêutico convencional e o momento em que se inicia Hipnose. 

Por outro lado, as Abordagens Ericksonianas assumem que os fenómenos de Hipnose são naturais e que o papel do terapeuta ericksoniano é utilizar esses momentos naturais, induzindo Hipnose de modo a elicitar recursos, para uma resolução terapêutica. Neste sentido, os sinais que permitem à pessoa saber que Hipnose vai surgir são mínimos e subtis, como por exemplo uma mudança de tom de voz, alterações de postura não-verbal ou alterações no padrão linguistico que o terapeuta utiliza. 

Hipnose é uma forma de comunicação, baseada em padrões linguisticos específicos, usando a sugestão e as suas formas. Sob o aspecto técnico, esta linguagem é diferente daquela usada na maioria dos modelos de Psicoterapia, apesar de Psicoterapia depender também de sugestão. Se a sugestão em Psicoterapia tem a capacidade para ajudar a criar a mudança no outro, a sugestão hipnótica ainda é mais eficaz para esse fim.

Qualquer Psicoterapeuta que tenha conhecimentos de Hipnose, especialmente a abordagem ericksoniana, consegue colocar mais impacto na sua comunicação terapêutica, mais eficácia na sua intervenção e a mudança tem a capacidade para ser mais duradoura. O cliente pode usufruir da comunicação hipnótica, sem a maioria dos rituais que a Hipnose tradicional necessita

Ao fazer isto, está a fazer Hipnose? Entendendo Hipnose como um meio de comunicação, certamente que estará! É uma forma diferente de ver comunicação e Hipnose.


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