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Bem vindos ao combate do século! Se tivéssemos em Las Vegas, provavelmente teríamos a produção de Don King. Num canto, temos o "Hipnoterapeuta", o suposto especialista em Hipnose que promete a cura milagrosa. No canto oposto, temos o Psicoterapeuta, o profissional se saúde mental credenciado que passa anos a apurar a sua arte. Quem terá direito ao titulo de vencedor absoluto?

Como já devem ter reparado, não me escuso de deixar a minha opinião sobre temas, alguns mais atuais, outros mais específicos. E reconheço que a minha opinião não é para todos, no sentido que algumas pessoas se sentem incomodadas e acham que adoro polémica. Não poderiam estar mais enganadas! Eu apenas tenho opiniões informadas e sinto que as devo expor. Se vão de acordo com as vossas opiniões, fico satisfeito. Se não vão, respeito e espero que possam sempre levar algo convosco, nas minhas palavras.

Este é um tema interessante. Numa altura em que abordagens como a Hipnose e Mindfulness estão a ficar populares (talvez até demasiado, mas isso poderá ser tema para outra discussão!), pode-se facilmente encontrar dezenas de ofertas de mercado para cursos, especialmente aqueles que atribuem títulos de "Hipnoterapeutas". Embora com nomes e marcas associadas diferentes, quase todos esses cursos têm um aspecto comum: todas as pessoas podem tirá-lo!

Portanto, temos pessoas de formações base diferentes uns dos outros, podendo ir da área do Direito, Gestão, Economia, Sociologia, Psicologia, Medicina, Engenharia e assim por diante. Pode-se encontrar pessoas que vêm de Practitioners e Masters em PNL ou "Hipnoterapeutas" que ainda vão tirar essas formações. Eu disse que todos têm um aspecto comum mas enganei-me, existe mais um aspecto: todos eles influenciam a criação de negócio com base no tratamento de condições mentais.

Não vou entrar por este caminho, já o percorri em videos e textos anteriores. Mas então a pergunta coloca-se: é melhor ir a um "Hipnoterapeuta" ou Psicoterapeuta?

"Hipnoterapia" e Psicoterapia têm um aspecto em comum, como profissão. Ambos não são reconhecidos. Mas enquanto "Hipnoterapia" terá de ser constituída como "terapia alternativa", em termos de abertura de negócio, Psicoterapia é uma especialidade avançada das profissões de Psicologia e Psiquiatria, as duas profissões de saúde mental que são reconhecidas como profissões, em termos de Finanças e Autoridade Tributária.

Como escrevi anteriormente, "Hipnoterapia" não existe. Se olharmos para a palavra, esta significa Terapia com Hipnose, sendo que Hipnose não é uma terapia mas sim uma técnica ou ferramenta terapêutica. Já Psicoterapia é um campo de utilização de estratégias psicológicas e métodos clínicos, vindos de princípios psicológicos estabelecidos, com o propósito de ajudar a pessoa na modificação de pensamentos, emoções e comportamentos. Modelos de Psicoterapia oferecem uma hipótese explicativa para a formação e desenvolvimento da personalidade, contrariamente a Hipnose. Em última instância, Hipnose é inserida como ferramenta terapêutica, apoiando um modelo psicoterapêutico, como Psicanálise, Terapia Centrada no Cliente ou Terapia Cognitivo-Comportamental. 

Formações em Psicoterapia têm requisitos obrigatórios como horas de formação teórico-prática no modelo (a maioria dura anos), desenvolvimento pessoal e supervisão. Para além da especialização no modelo psicoterapêutico, por ser uma área destinada a profissionais de saúde mental, a sua formação base já possibilita alicerces na compreensão da mente humana, seja no ponto de vista psicológico ou psiquiátrico. 

Um "Hipnoterapeuta" só saberá, na melhor das hipóteses, as explicações mais rudimentares sobre a mente humana o que não é o suficiente para intervir em perturbações mentais. Isto se a formação base não for em Psicologia ou Psiquiatria, claro.

Para não me extender demasiado, termino com aquele que considero o ponto mais importante de todos: a arte de fazer Psicoterapia. 

O "Hipnoterapeuta" é ensinado a dar determinadas sugestões, com determinados padrões linguisticos, de uma determinada forma. Isto é de tal forma generalizado, que existem guiões para tudo o que possam imaginar. Como se fossem receitas! Se vier alguém queixar-se de X, vocês dão-lhe X. As características da pessoa e o estar em Terapia não interessam muito, o que é importante são as sugestões e dizer que a partir deste momento, a razão pela qual veio irá desaparecer!

Psicoterapeutas formados no estabelecimento da relação terapêutica e no Estar em Terapia. Isto representa, cada vez mais, uma atenção às características únicas de cada pessoa, o respeito e empatia, assim como a valorização e trabalho regular na interacção terapêutica. Quanto mais integrativo for o Psicoterapeuta, assim como experiente, maior será a sua capacidade para estar atento a pequenas pistas e movimentos no paciente, aspectos que necessitam de ajuste, no momento. 

Quanto maior for o treino e conhecimento do foro psicológico, maior será a capacidade de flexibilidade e adaptação a cada paciente. Psicoterapia deixará apenas de ser vista como um processo mecânico, mas sim como uma forma de arte. 

Neste sentido, a técnica deixará de ser tão importante, e mais a capacidade que o Psicoterapeuta terá em conhecer os princípios e aplicá-los, de forma fluída. 

Portanto, quem ganha este combate? Não tenho qualquer dificuldade em afirmar que, no que respeita a princípios psicológicos e perturbações mentais, o Psicoterapeuta tem uma clara vantagem. E a vitória poderá ser por K.O. se ainda usar Hipnose para fortalecer o seu modelo de Psicoterapia.


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